Senadores dos EUA culpam Bolsonaro por desmatamento em nova carta a Biden

Por Folha de São Paulo / Portal do Holanda

03/12/2021 19h35 — em Mundo

WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) - Um grupo de oito senadores americanos enviou uma carta ao presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, na qual acusam o governo de Jair Bolsonaro (PL) de ser responsável pela destruição na Amazônia, com "uma epidemia de desmatamento e incêndios", e de colocar a democracia em risco.

Os congressistas pedem que a oportunidade de indicar um novo embaixador americano para o Brasil seja usada para promover mudanças. "A nomeação deveria refletir uma clara reconfiguração ["clear reset", no original] da relação entre os dois países", apontam os democratas.

A representação dos EUA em Brasília está sem embaixador desde julho, quando Todd Chapman se aposentou. Atualmente, a embaixada é chefiada por Douglas Koneff. Não há data prevista para a indicação de um novo nome para o posto, que precisa ser aprovado pelo Senado americano.

A carta, à qual a Folha teve acesso, foi enviada na quarta-feira (1º) e é assinada por oito senadores democratas, incluindo Patrick Leahy, 81, que atua como presidente temporário do Senado, responsável por comandar as sessões na ausência da presidente da Casa, a vice-presidente Kamala Harris.

Além dele, assinam o documento Benjamin Cardin e Chris van Hollen, ambos do estado de Maryland, Edward Markey, de Massachusetts, Jeanne Shaheen, de New Hampshire, Jeffrey Merkley e Sherrod Brown, ambos de Ohio, e Thomas Carper, de Delaware.

"Escrevemos para expressar nossa profunda preocupação com a trajetória de queda da democracia, dos direitos humanos e da proteção ambiental no Brasil", começa a mensagem.

"Como uma distração para os problemas reais encarados pelo povo brasileiro, como a alta do desemprego, a inflação e mais de 600 mil mortes por Covid, Bolsonaro lançou uma campanha de desinformação que busca atacar ativamente membros específicos do Supremo Tribunal Federal", prosseguem.

Nos últimos meses, Bolsonaro diminuiu os questionamentos ao sistema eleitoral brasileiro, um desdobramento das críticas que recebeu após os atos do 7 de Setembro, já que a postura naquele momento gerou temores de um golpe. Os senadores reconhecem a mudança, mas avaliam que "o súbito reconhecimento da credibilidade do sistema de votação não pode ser tomado pelo valor de face".

Sobre as questões ambientais, o documento aponta que o líder brasileiro "tem promovido, de forma entusiasmada, políticas extremamente prejudiciais ao ambiente". "Territórios indígenas estão sob ataque de garimpeiros, de madeireiros e de projetos oficiais de infraestrutura, como estradas, barragens e ferrovias. Um pacote de novas leis defendidas por legisladores alinhados a Bolsonaro reduzirá a proteção a terras indígenas e a áreas de conservação", afirmam os congressistas.

"A epidemia de desmatamento e de incêndios, não só na Amazônia, mas no Pantanal e no Cerrado, é resultado direto das palavras e das ações de Bolsonaro", consideram os senadores.

Nos últimos meses, cartas com críticas ao governo Bolsonaro foram enviadas por democratas à administração Biden. Em setembro, por exemplo, Bob Menendez e outros três deputados enviaram mensagem ao secretário de Estado, Antony Blinken, alertando sobre a deterioração da democracia no Brasil e pedindo que Biden deixasse claro que "qualquer ruptura democrática terá sérias consequências".

Em outubro, mais de 60 parlamentares enviaram outra carta à Casa Branca pedindo um recuo nas relações entre os dois países até que um novo líder brasileiro fosse eleito. Eles defendem que os EUA deixem de apoiar o Brasil em temas como a entrada do país na OCDE (Organização de Cooperação para o Desenvolvimento Econômico), algo que poderia trazer vantagens comerciais aos brasileiros.

"Não podemos estabelecer um precedente pelo qual um país cujo presidente é acusado de crimes contra a humanidade no Tribunal Penal Internacional seja capaz de se juntar a organizações internacionais cada vez mais importantes. Não sem responsabilização, transparência e reformas", disse em outubro o deputado democrata Hank Johnson, um dos autores da carta de outubro.


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