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Senadores acusam PT tentar criar ato político para neutralizar apoio a Maduro

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BRASÍLIA - No momento em que setores do PT ligados ao ex-presidente Lula tentam amenizar o desgaste provocado pelo apoio oficial da presidente do partido, senadora Gleisi Hoffman (PR) , ao presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, a Comissão de Relações Exteriores do Senado (CRE) aprovou requerimento do senador Jorge Viana (PT-AC) para ida de uma comissão de senadores brasileiros àquele país se oferecer para intermediar diálogo entre governo e líderes da oposição para por fim a escalada de violência que já provocou mais de 100 mortes.

O plenário do Senado terá que deliberar nesta terça-feira sobre a ida da comissão de senadores liderada pelo presidente da CRE, senador Fernando Collor (PSC-AL), ou requerimento do senador Ricardo Ferraço (PSDB-ES) pedindo voto de censura ao presidente Nicolas Maduro. O plenário do Senado terá que se posicionar ou pela censura oficial a Maduro, ou pelo envio da comissão de senadores para dialogar com o presidente venezuelano e seus opositores.

Vice-presidente da Comissão de Relações Exteriores, Jorge Viana argumenta que o Brasil não pode assistir "de braços cruzados" ao agravamento da crise política e ao crescimento da polarização na Venezuela.

— Acho que a situação se agravou muito nos últimos dias, e talvez o país esteja próximo a uma guerra civil. Não há mais nenhum diálogo, tolerância ou entendimento entre as forças políticas — justificou Viana.

Senadores contrários a ida da comissão de senadores brasileiros, entretanto, argumentam que “seria perda de tempo e dinheiro”, já que nem a OEA ou Mercosul conseguiram dialogar com Maduro. E acusam Viana de estar montando uma estratégia para neutralizar a posição de apoio a Maduro, externada por Gleisi e outros dirigentes do PT, o que poderia ser um problema para a eventual candidatura de Lula ao Planalto ano que vem.

— Com certeza essa é a estratégia. Não dá para avalizar a ida dessa comissão a Venezuela. Se o PT já manifestou apoio a esse governo criminoso de Maduro, já mostrou a que veio — disse o senador Ricardo Ferraço.

— Depois do apoio público do PSOL, do PT e do PCdoB a ditadura de Maduro, querem passar imagem de isenção. Mas são mediadores do caos que ajudaram a instalar na Venezuela . Já avisaram que eu não posso ir, só os senadores “isentos”, vão lá gastar dinheiro e passar uma imagem de democratas — critica o senador José Medeiros (PSD-MT), que integrou a fracassada missão de senadores da oposição, que em 2015 tentou visitar Leopoldo López na prisão e foi barrada no caminho pelos coletivos de Maduro.

Apesar de ser suplente da CRE, líder da Rede Sustentabilidade, Randolfe Rodrigues (AP) articula com Collor a inclusão do seu nome na comitiva.

— A composição da Comissão Externa está sendo montada no âmbito da Comissão de Relações Exteriores. Sou suplente, mas gostaria de ir . Semana passada reforcei com o presidente, o senador Collor, meu interesse em ir. Considero fundamental o deslocamento de uma comissão dessa natureza , sem nenhum tipo ou interesse de intervenção . O Brasil precisa acompanhar de perto esses gravíssimos acontecimentos — informou Randolfe.

Um dos mais ferrenhos críticos da ditadura de Nicolás Maduro, o líder do Democratas, senador Ronaldo Caiado (GO), é também contra a ida da comissão de senadores brasileiros a Venezuela nesse momento. E acusa o PT de estar criando um fato político.

— As digitais do PT estão nessa tragédia que ocorre na Venezuela. Lula tem grande responsabilidade. Ele sempre se gabou de ter “inventado o Hugo Chávez”. Não apenas o inventou como lhe deu sustentação política, econômica e logística. Depois incentivou a continuidade desse projeto com o Maduro. O PT jamais vai conseguir esconder esse apoio vergonhoso aos seus companheiros da ditadura venezuelana que já matou mais de cem inocentes — disse Caiado.

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