Início Mundo Sem ceder ao terrorismo, mercado de Natal em Berlim reabre um ano após atentado
Mundo

Sem ceder ao terrorismo, mercado de Natal em Berlim reabre um ano após atentado

Envie
Envie

BERLIM — Ainda marcados pelo atentado do ano passado, vendedores e fregueses tentam agir normalmente no mercado de Natal da Praça Breitscheid, que reabriu no centro da antiga Berlim Ocidental. Mas é impossível ignorar o ataque terrorista que matou 12 pessoas em dezembro de 2016. Seja pelos obstáculos de concreto contra carros e caminhões ou pela ostensiva presença policial, é como se o maior atentado na cidade desde 1945 ainda esteja presente.

Apenas um vendedor resolveu não participar este ano da feira, a maior de Berlim, visitada em cada temporada por um milhão de pessoas. Para muitos, ela é a única fonte de renda no inverno, já que os mercados acontecem principalmente de março a outubro.

— A vida continua. Temos as nossas famílias para sustentar — explica Michael Roden, presidente da Federação dos Profissionais Itinerantes de Feiras de Diversão de Berlim.

Sofiane Razzougui, francês filho de marroquinos, viu há um ano o caminhão parar a poucos metros de seu estande de venda de lenços e cachecóis de seda. Mesmo assim, afirma que a Europa não pode se deixar amedrontar.

— Atentado pode acontecer em todo canto. Também o Bataclan, de Paris, voltou a funcionar. Se demonstrarmos medo, os terroristas sairão vitoriosos — disse o comerciante, que vive em Berlim.

Max Müller estava a apenas um metro de onde o caminhão parou após atropelar a multidão. Ele ainda conseguiu puxar a mulher, Kartna, enquanto o estande era destruído. Hoje, tem uma dívida de € 30 mil, empréstimo que obteve para comprar uma nova tenda onde vende sanduíches e vinho quente. Após o ataque, lutou durante meses por uma indenização, mas ela não cobriu nem de perto os custos. Já Ewa Kalinka, que vende linguiça e vinho quente, acredita que nenhum mercado de Natal da Alemanha está tão seguro hoje quanto o da Praça Breitscheid.

Em todo o país, foram abertos este mês 1.500 mercados de Natal. Para o ministro do Interior, Thomas de Maizière, o nível de perigo continua muito alto, mas os alemães devem visitar as feiras — uma tradição no país.

Embora inaugurado em 1983, muito depois de outros, o mercado na praça onde fica a Igreja da Recordação Imperador Guilherme é o maior da capital alemã. Ele existia antes, em outro local, mas foi transferido para a praça junto da igreja há 34 anos por iniciativa do produtor de cinema Artur Brauner, de 99 anos, sobrevivente do Holocausto. A igreja foi deixada intencionalmente em ruínas, como um memorial da Segunda Guerra Mundial.

O mercado funcionará até o dia 7 de janeiro, mas no dia 19 ficará fechado, quando haverá uma solenidade em memória das vítimas. Os nomes e países de origem de cada um dos mortos foram gravados nos degraus da igreja. A homenagem mais contundente é uma placa simples de madeira onde está escrito “Warum?” (Por quê?).

O ataque mudou para sempre a cidade, reduzindo a sensação de segurança. Assim mesmo, não há risco de a praça ficar deserta mesmo que a temperatura caia para abaixo de zero. Berlim está repleta de turistas, e o mercado da Breitscheid tornou-se a mais famosa feira de Natal da Alemanha.

Siga-nos no

Google News