Se não alcançarmos a China, perderemos a chance de moldar o futuro do clima, diz secretário dos EUA

Por Folha de São Paulo / Portal do Holanda

19/04/2021 18h34 — em Mundo

WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) - Os Estados Unidos decidiram fazer do debate das mudanças climáticas a oportunidade de reorientar a geopolítica mundial, ultrapassando de vez a China e consolidando seu lugar de maior potência do globo. Chefe da chancelaria americana, o secretário de Estado Antony Blinken admitiu nesta segunda-feira (19) que os EUA estão atrás na agenda verde e, se não alcançarem os chineses, perderão a chance de moldar o futuro climático do mundo.

"Neste momento, estamos ficando para trás. A China é o maior produtor e exportador de painéis solares, turbinas eólicas, baterias e veículos elétricos. Detém quase um terço das patentes mundiais de energia renovável", disse o secretário em pronunciamento às vésperas da Cúpula de Líderes sobre o Clima, organizada por Joe Biden nos dias 22 e 23 de abril.

"Se não a alcançarmos, os Estados Unidos perderão a chance de moldar o futuro climático do mundo de uma forma que reflita nossos interesses e valores, e perderemos incontáveis empregos para o povo americano."

Blinken disse que deixaria claro que o "objetivo número um da nossa política climática é prevenir catástrofes", mas isso não significa que os EUA deixarão de lado a competitividade e a ânsia de voltar a ditar os rumos do planeta.

"É difícil imaginar os EUA ganhando uma competição estratégica de longo prazo com a China se não liderarem a revolução das energias renováveis."

Para o diplomata, as mudanças climáticas não devem ser vistas apenas como "uma ameaça", mas também como "uma oportunidade" para os americanos recuperarem esse protagonismo após quatro anos de governo de Donald Trump.

"Estamos torcendo para que cada país, empresa e comunidade melhore a redução de emissões e a construção de [um sistema de] resiliência. Mas isso não significa que não tenhamos interesse em que os Estados Unidos desenvolvam essas inovações e as exportem para o mundo."

Um dos principais auxiliares de Biden, Blinken traçou o mapa sobre como, na sua avaliação, a política externa americana vai contribuir para enfrentar o que classifica como o grande teste da atual geração. Para ele, é preciso "liderar pelo exemplo", promovendo transformações domésticas que estimulem outros países a implementarem mudanças na transição energética, em busca de conter o aquecimento global.

Biden convidou 40 líderes mundiais -Jair Bolsonaro entre eles- para um encontro virtual em que irão debater metas para frear o aquecimento global em 1,5°C. O presidente americano vai anunciar a revisão das metas de emissão de carbono do país e um pacote de regulação para reduzir o impacto ambiental em diversas áreas.

No fim de semana, China e EUA divulgaram um comunicado conjunto para dizer que concordam em firmar metas mais ambiciosas para o clima.

A necessidade de investimento e desenvolvimento do mercado de trabalho também marcou a fala de Blinken nesta segunda, em uma tentativa de angariar mais apoio do setor privado e da sociedade civil para avançar sobre esse debate.

O secretário fez um discurso de quase 30 minutos na sede da Fundação Chesapeake Bay, organização sem fins lucrativos dedicada à preservação da Baía Chesapeake, a 50 km da Casa Branca.

Blinken colocou as mudanças climáticas no campo das ameaças à segurança nacional dos EUA, como têm feito Biden e seus assessores, e pediu união de todos os países que foram os mais poluentes do mundo -os EUA estão em segundo lugar, atrás da China-- para diminuir as emissões de gases do efeito estufa.

"Escolha qualquer desafio de segurança que afete os Estados Unidos. A mudança climática vai piorar tudo", disse ele.

Segundo o secretário, se os EUA tiverem sucesso, conseguirão aproveitar a oportunidade para criar empregos e construir uma sociedade mais justa e sustentável. "Esse é o teste que enfrentamos agora."

Como chefe da chancelaria dos EUA, Blinken afirmou que seu trabalho é garantir que a política externa atenda aos interesses dos americanos e que a abordagem da crise climática como forma de transformar a matriz energética do país e criar empregos é a melhor forma de fazer isso.

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