BOGOTÁ — Diante de uma onda de assassinatos a defensores de direitos humanos, que aumentou após a assinatura do acordo de paz com as agora extintas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, anunciou nesta terça-feira novas medidas para proteger ativistas, que incluem um sistema de recompensas para informantes que possam ajudar a identificar responsáveis pelos crimes. No total, foram mortos 181 líderes sociais desde 24 de novembro de 2016. A média pode chegar a um a cada três dias, segundo dados da Defensoria do Povo, que contabiliza 311 mortes desde 2016.
Quatro líderes foram assassinados apenas na semana passada, no Pacífico, no Caribe e no departamento de Antioquia.
— Ratificamos a condenação e o repúdio a esses assassinatos, e não vamos descansar até encontrar e punir os responsáveis por esses crimes hediondos — disse o presidente após um conselho de segurança nacional na Casa de Nariño. — A remuneração será ainda maior para a identificação de autores intelectuais desses crimes.
Dentre as medidas, estão a aceleração, expansão e priorização de programas de proteção coletiva e aumento da segurança em municípios em risco — a maioria dos homicídios ocorreu em áreas dominadas por narcotraficantes ou com ineração ilegal. Segundo o presidente, a proteção dos defensores dos direitos humanos será uma prioridade de seu governo até que ele deixa o cargo, em 7 de agosto.
— Nós não vamos permitir que os avanços, que já vemos pela construção da paz, sejam ameaçados pela ação criminosa de grupos organizados que querem nos levar de volta a um passado de violência.
Apesar das autoridades competentes descartarem uma campanha sistemática para eliminar ativistas, em vários casos, são acusados grupos de traficantes de drogas, rebeldes do Exército de Libertação Nacional (ELN) e dissidentes das Farc.
Além da habitual debilidade dos líderes comunitários, sob a mira dos caciques locais e das redes mafiosas, somam-se aos problemas os confrontos entre gangues pelo controle do território esvaziados desde a assinatura do pacto. Na quarta-feira, Ana María Cortés, coordenadora local da campanha eleitoral do candidato Gustavo Petro, foi assassinada no município de Cáceres, no Noroeste do país. Na terça-feira, foi a vez de Margarita Estupiñán, presidente do Conselho de Ação Comunitária de um bairro de Tumaco, baleada na porta de sua casa.
Tumaco, por exemplo, é um município militarizado no qual dezenas de grupos armados tentam ocupar o vácuo deixado pelas Farc e tomar os mais de 23 mil hectares de coca. As colheitas aumentaram 11% em 2017 e ultrapassaram os 200 mil hectares.

