SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O senador Bernie Sanders disse nesta quarta-feira (11) que vai manter sua campanha para ser o candidato democrata na eleição presidencial americana, um dia após ter sofrido uma série de derrotas para Joe Biden nas primárias. Líder da ala mais a esquerda do partido, Sanders reconheceu o mau resultado nas votações de terça (10), nas quais saiu derrotado em quatro estados (Idaho, Michigan, Missouri e Mississippi) e vencedor apenas em um (Dakota do Norte) -a contagem no estado de Washington ainda não acabou. O resultado confirmou Biden, da ala mais moderada e ex-vice-presidente na gestão de Barack Obama (2009-2017), como o candidato favorito para enfrentar o presidente Donald Trump na eleição de 3 de novembro. Com isso, o senador não fez nenhum discurso na noite de terça, como em geral acontece, o que fez alguns analistas especularem que ele podia desistir da disputa, apesar de seus assessores negarem essa hipótese. Na tarde desta quarta, o próprio Sanders fez um pronunciamento a jornalistas em Vermont (estado pelo qual foi eleito) para confirmar que continua na disputa e que está ansioso para participar do debate marcado para domingo (15) no Arizona com Biden. Este será o primeiro debate apenas entre os dois --os anteriores contaram com outros pré-candidatos, que depois desistiram da disputa. "A noite passada obviamente não foi boa para nossa campanha em número de delegados", disse Sanders nesta quarta. Segundo as projeções do jornal The New York Times, ele ganhou 111 delegados na terça, contra 177 de Biden. Com isso, o ex-vice-presidente chegou a 857 delegados no geral, ampliando a diferença para Sanders, que tem 709. Apesar disso, o senador afirmou que está "ganhando a disputa geracional", em referência ao fato de seu nome ser o preferido entre os jovens, enquanto Biden tem a liderança entre os mais velhos. "Enquanto nossa campanha venceu o debate ideológico, estamos perdendo o debate sobre elegibilidade", continuou ele, que disse ainda que as pesquisas mostram que suas propostas tem apoio da população. Mesmo prometendo continuar na disputa, Sanders fez algumas sinalizações em direção a Biden, o chamando inclusive de "amigo". "Donald Trump deve ser derrotado e farei tudo que estiver a meu alcance para que isto aconteça. Na noite de domingo, no primeiro debate cara a cara desta campanha, o povo americano terá a chance de definir qual é o melhor candidato para conseguir esse objetivo", disse Sanders. Na sequência, ele anunciou sobre quais temas pretende questionar Biden durante o debate, listando uma série de propostas progressistas --como educação superior gratuita e aumento de imposto para super-ricos. "Joe, o que você pretende fazer sobre isso?", afirmava o senador após cada tema, se referindo diretamente a Biden. Após vencer duas das três primeiras primárias democratas, Sanders chegou a ser apontado como o favorito para vencer a disputa pela nomeação. Mas após vencer as primárias da Carolina do Sul em 29 de fevereiro, Biden, deu início a uma reviravolta na disputa e rapidamente se consolidou na liderança após sair como grande vencedor da Super Terça. O ex-vice-presidente conseguiu ainda atrair o apoio de diversas lideranças do partido, incluindo o de sete pré-candidatos que já tinham deixado a disputa, e disparou nas pesquisas. Segundo as projeções, ele agora é o favorito para ganhar as primárias dos próximos cinco estados em disputa (Flórida, Ohio, Arizona e Illinois no dia 17 e Geórgia no dia 24), o que coloca ainda mais pressão em Sanders para reverter o jogo ou deixar a disputa.