Por Marta Nogueira
RIO DE JANEIRO, 8 Mai (Reuters) - A Samarco, joint venture das mineradoras Vale e BHP, registrou prejuízo líquido de US$1,12 bilhão no primeiro trimestre, ante resultado negativo de US$1,52 bilhão no mesmo período de 2025, por efeitos cambiais e despesas com a reparação do rompimento da barragem de Mariana, apesar de vendas mais fortes no período.
A perda refletiu resultado financeiro negativo de US$1,25 bilhão entre janeiro e março, impactado sobretudo por variação cambial sobre passivos, de US$965 milhões, e por despesas financeiras relacionadas à reparação, de US$371 milhões, informou a empresa nesta sexta-feira.
Em teleconferência com investidores, o diretor Financeiro, de Estratégia e Suprimentos da Samarco, Gustavo Selayzim, afirmou que o resultado líquido segue sendo explicado principalmente por efeitos ligados aos passivos de reparação, sem impacto no caixa da companhia.
A receita líquida da Samarco somou US$403,6 milhões no trimestre, levemente acima dos US$400,4 milhões de um ano antes, com o avanço de 12% nas vendas ajudando a compensar a queda dos preços realizados.
As vendas da Samarco somaram 3,2 milhões de toneladas de pelotas e finos de minério de ferro no trimestre, ante 2,8 milhões no mesmo período de 2025, segundo a companhia já havia publicado no mês passado. A produção totalizou 3,8 milhões de toneladas, alta de 18% na mesma comparação.
Segundo Selayzim, a diferença entre produção e vendas no trimestre refletiu principalmente uma mudança pontual no calendário de embarques entre o fim de março e o início de abril, e não uma piora da demanda. O executivo afirmou que a empresa espera vender, ao longo do ano, 100% do que produzir.
O preço médio realizado ficou em US$127,3 por tonelada, recuo de 9% ante o primeiro trimestre de 2025. O preço médio das pelotas, por sua vez, foi de US$130,3 por tonelada, queda de 8% na mesma comparação.
O Ebitda ajustado da mineradora somou US$192,7 milhões no trimestre, queda de 23% ano a ano, pressionado por custos mais altos e preços menores. O custo caixa C1 subiu 14%, para US$47,7 por tonelada, em movimento atribuído principalmente à valorização do real frente ao dólar.
Na teleconferência, Selayzim disse que a queda do Ebitda não é motivo de preocupação e afirmou que parte da produção do trimestre ainda deverá ser capturada nas vendas dos próximos meses. Segundo ele, a Samarco manteve a projeção de Ebitda para 2026.
A companhia reportou fluxo de caixa livre operacional de US$183 milhões no trimestre, alta de 7% na comparação anual. O fluxo de caixa livre total, porém, caiu 44%, para US$129,8 milhões, refletindo maiores desembolsos ligados à reparação.
No campo da reparação, a Samarco informou execução de US$320,2 milhões em obrigações em 2026 até o fim de março. Desse total, US$267 milhões foram cobertos por aportes feitos pelos acionistas neste ano, e o restante com recursos aportados anteriormente.
A Samarco segue operando com cerca de 60% da capacidade instalada e mantém o plano de investir R$13,8 bilhões até 2028 para retornar a 100% da capacidade produtiva, com o avanço da fase 3 da retomada operacional.
A mineradora ficou cinco anos sem operar após o rompimento da barragem de Fundão, em 2015, desastre que deixou 19 mortos e provocou danos sociais e ambientais ao longo da bacia do Rio Doce.
(Reportagem de Marta Nogueira; edição de Roberto Samora)



