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Rússia tenta vender grãos saqueados na Ucrânia, alertam EUA

SÃO PAULO, SP (UOL-FOLHAPRESS) - Em guerra com a Ucrânia desde o mês de fevereiro, a Rússia estaria tentando vender o trigo saqueado na Ucrânia a países africanos, de acordo com o The New York Times. O alerta foi feito pelos Estados Unidos e os alvos para compra seriam países atingidos pela seca, alguns inclusive tendo a população enfrentando problemas de fome.

A produção de grãos na Ucrânia correspondem a um décimo das exportações de trigo em todo o mundo, e de acordo com o jornal, em meados de maio, os Estados Unidos já tinham enviado um alerta a 14 países, principalmente na África, de que navios de carga russos estariam deixando portos perto da Ucrânia carregados com o que foi chamado de "grão ucraniano roubado".

O alerta americano colocou os países africanos em um grande dilema, ainda de acordo com a publicação. Se beneficiar de possíveis crimes de guerra e desagradar um poderoso aliado ocidental, ou então recusar alimentos baratos em um momento em que os preços do trigo estão subindo e centenas de milhares de pessoas passam fome.

O aviso emitido por Washington corrobora acusações feitas pelo governo ucraniano de que a Rússia roubou até 500 mil toneladas de trigo, no valor de US$ 100 milhões, desde a invasão russa em fevereiro.

Na última sexta-feira (3), o presidente do Senegal, Macky Sall, também chefe da União Africana, reuniu-se na Rússia com Vladimir Putin, em um esforço para garantir o fornecimento de grãos do país.

A Rússia e a Ucrânia normalmente fornecem cerca de 40% de trigo para a África, onde os preços do grão subiram 23% no ano passado, segundo as Nações Unidas. Na região do Chifre da África, uma seca devastadora deixou 17 milhões de pessoas com fome, principalmente em partes da Somália, Etiópia e Quênia, segundo as Nações Unidas. Mais de 200 mil pessoas na Somália estão à beira da fome.

Diante da situação de fome e falta de alimentos no continente africano, é pouco provável que os países hesitem em comprar grãos por um preço mais baixo, disse Hassan Khannenje, diretor do HORN International Institute for Strategic Studies, um órgão de pesquisa no Quênia.

"Isso não é um dilema", disse Khannenje. "Os africanos não se importam de onde tiram sua comida, e se alguém vai moralizar sobre isso, eles estão enganados. A necessidade de comida é tão grave".

Autoridades ucranianas disseram que a solução para o problema alimentar da África é uma maior pressão global para acabar com a guerra, não a compra de grãos saqueados. Há uma "resposta simples", disse Taras Vysotsky, vice-ministro da Agricultura da Ucrânia: "Parem os combates".

Vysotsky e outros ministros ucranianos acusam a Rússia há meses de roubar grãos dos territórios que ocupam no celeiro do sul do país, descritos como "roubo total". Grande parte foi retirada de elevadores de armazenamento em partes ocupadas das regiões de Zaporizhzhia, Kherson, Donetsk e Luhansk, dizem eles.

Os primeiros relatos de pilhagem de grãos surgiram em meados de março. Desde então, comentaristas de emissoras de TV estatais russas se gabaram abertamente das apreensões, dizendo que a Rússia pretende continuar com elas. Os russos também roubaram cerca de US$ 15 milhões a US$ 20 milhões em máquinas agrícolas, disse Vysotsky.

Além de toda a troca de acusações, um bloqueio naval russo impediu a Ucrânia de exportar o trigo que ainda tem. Autoridades ucranianas dizem que cerca de 20 milhões de toneladas de grãos estão esperando para exportação no porto ucraniano de Odesa.

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