MOSCOU — Desafiando o Reino Unido, o Ministério das Relações Exteriores da Rússia pediu à Organização para a Proibição de Armas Químicas (Opaq) informações sobre a investigação do envenenamento do ex-espião russo Sergei Skripal e sua filha Yulia na Inglaterra. Uma lista de perguntas submetidas à agência inclui que tipo de assistência o Reino Unido solicitou à agência de vigilância e quais procedimentos de amostragem foram usados para coletar a substância. Os dois estão hospitalizados desde 4 de março devido à exposição ao que os especialistas britânicos dizem ser o agente nervoso Novichok, que teria sido criado na União Soviética — o que Moscou nega veementemente.
A Rússia tem se queixado de que o Reino Unido não forneceu evidências para respaldar sua alegação de envolvimento russo ou que o veneno que afligiu ex-espião seja um agente nervoso desenvolvido pela Rússia. Dentre as questões enviadas à Opaq estão se o Reino Unido tem amostras de controle do agente Novichok ou por que a França foi envolvida na cooperação técnica para a investigação do incidente. O Ministério das Relações Exteriores da Rússia também apresentou perguntas às autoridades britânicas e francesas no sábado. A Chancelaria, no entanto, não disse quais ações a Rússia poderia tomar se as partes não respondessem às perguntas ou dessem respostas parciais.
O pedido do Ministério das Relações Exteriores foi feito no mesmo dia em que os diplomatas russos e suas famílias voltaram a Moscou em dois aviões depois de serem expulsos dos Estados Unidos, parte das consequências internacionais do ataque. Em solidariedade ao Reino Unido, 16 países da União Europeia, EUA, Canadá, Austrália, Albânia, Moldávia, Macedônia, Ucrânia e Noruega anunciaram a expulsão de diplomatas russos, na semana passada. No total, serão expulsos 150 diplomatas. Em resposta, Moscou ordenou que um número igual de diplomatas russos deixasse esses países saísse e que o Reino Unido reduzisse o pessoal de sua embaixada em Moscou para o mesmo número que a Rússia mantém em Londres.
