O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta terça-feira (23) que a Ucrânia tem condições de recuperar todos os territórios perdidos para a Rússia desde o início da guerra. Em encontro com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, em Nova York, durante a Assembleia Geral da ONU, Trump classificou a Rússia como um “tigre de papel” e defendeu que países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) derrubem aeronaves militares russas que invadam o espaço aéreo da aliança.
A fala marca uma mudança significativa em relação ao posicionamento anterior de Trump, que vinha defendendo concessões territoriais da Ucrânia para encerrar o conflito. “Depois de conhecer a situação militar e econômica de Ucrânia e Rússia, acredito que a Ucrânia, com apoio europeu, está em posição de lutar e recuperar todo o território em sua forma original”, escreveu o presidente em suas redes sociais. Para ele, a guerra, que já dura mais de três anos, expôs fragilidades da Rússia, que “uma potência militar de verdade teria vencido em menos de uma semana”.
Trump também comentou sobre recentes violações do espaço aéreo de países da Otan atribuídas a aeronaves russas. Questionado por jornalistas se apoiaria a derrubada desses aviões, respondeu que “sim” e acrescentou que a participação direta dos Estados Unidos dependeria das circunstâncias. Nas últimas semanas, Estônia, Romênia, Polônia e Dinamarca relataram incidentes envolvendo drones e caças russos, aumentando a tensão na Europa.
O republicano ainda reforçou o compromisso de continuar fornecendo armas aos países da Otan, afirmando que caberá a cada nação decidir como utilizar o armamento. Trump ressaltou que a Rússia enfrenta sérias dificuldades econômicas e que “este é o momento para a Ucrânia agir” no campo militar.
As declarações ocorrem em um momento de redefinição da política externa dos EUA, que até recentemente buscavam encorajar negociações de paz. A mudança no discurso de Trump amplia a pressão sobre Moscou e fortalece a posição de Kiev, que reivindica a recuperação de todo o território ocupado, incluindo a Crimeia, anexada pela Rússia em 2014.



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