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Rússia diz que está desacelerando ofensiva na Ucrânia para retirar civis

Por Folha de São Paulo / Portal do Holanda

24/05/2022 19h38 — em
Mundo



SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O ministro da Defesa da Rússia, Serguei Choigu, afirmou nesta terça-feira (24) que Moscou está desacelerando a ofensiva no leste e no sul da Ucrânia para permitir a retirada de civis em cidades que estão na linha de fogo.

A declaração foi feita no mesmo dia em que o jornal americano The New York Times publicou reportagem sobre encolhimento da ação russa nos três meses de guerra, atribuído ao fracasso inicial em subjugar a capital Kiev e à falta de soldados, já que não houve mobilização nacional para a ofensiva.

"Cessar-fogos estão sendo declarados e corredores humanitários foram criados para que pessoas mais velhas sejam retiradas das localidades cercadas. Isso, claro, desacelera o ritmo da ofensiva, mas está sendo feito de forma deliberada para evitar vítimas entre os civis", disse Choigu à agência de notícias oficial russa RIA-Novosti.

Apesar da fala do ministro russo, autoridades ucranianas disseram também nesta terça que Moscou tem intensificado ações no leste do país. Kiev afirma que as tropas do presidente Vladimir Putin usam aeronaves, lançadores de foguetes, artilharia, tanques, morteiros e mísseis em ofensivas contra alvos nas regiões de Donetsk e Lugansk e acusou as forças russas pela morte de ao menos 14 civis.

O controle do Donbass, ocupada por separatistas apoiados pelo Kremlin, é um dos objetivos declarados de Moscou. Após autoridades locais incentivarem moradores a deixar a região, o governador de Lugansk, Serhii Gaidai, mudou o discurso, indicando que talvez seja tarde demais para fugir do agravamento da guerra.

"Neste momento não direi 'saiam'. Agora vou dizer: 'fiquem em um abrigo'", disse Gaidai em seu canal no Telegram. "Porque tal densidade de bombardeios não nos permitirá reunir as pessoas com calma e ir buscá-las."

Segundo o político ucraniano, a Rússia concentrou esforços para cercar as cidades de Lisitchansk e Severodonetsk. "Agora, com o apoio da artilharia, eles estão realizando operações na direção de Tochkivka e Ustinivka", escreveu o governador. Na região de Lugansk acredita-se que cerca de 15 mil moradores estejam escondidos em abrigos.

Na semana passada, o presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, afirmou que os russos transformaram o Donbass em um "inferno" e que a situação no local é bastante grave. Nesta terça, o líder ucraniano disse que Putin é a única autoridade da Rússia com quem ele está disposto a se encontrar para discutir o fim da guerra.

"Não posso aceitar nenhum tipo de reunião com ninguém vindo da Federação Russa, exceto o presidente", disse Zelenski durante discurso no Fórum Econômico Mundial, em Davos. "E só quando houver apenas uma questão sobre a mesa: parar a guerra. Não há outros motivos para qualquer outro tipo de reunião."

O presidente ucraniano acrescentou: "Se estamos falando em acabar com esta guerra sem ele [Putin] pessoalmente, essa decisão não pode ser tomada". Para Zelenski, o diálogo entre Kiev e Moscou está se tornando mais difícil à luz do que ele chama de evidências de ações russas contra civis em cidades sob ocupação.

No porto de Mariupol, moradores que vasculhavam escombros encontraram cerca de 200 corpos em decomposição no porão de um prédio residencial, acusou Petro Andriuschenko, assessor da prefeitura. Ele, que reside fora da cidade, agora controlada pela Rússia, afirmou que tropas de Moscou teriam deixado os corpos no local e que o cheiro da decomposição dos cadáveres tem incomodado os moradores.

As rodadas de negociações entre as delegações russa e ucraniana tiveram pouco efeito prático que indicasse o fim do conflito. Os dois lados admitem que o diálogo está parado, e a diplomacia russa acusa a Ucrânia de agir com má vontade.

Em meio aos ataques russos no Donbass, forças ucranianas conseguiram nesta terça afastar tropas invasoras da capital Kiev e de Kharkiv.



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