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Rússia bombardeia Kiev e Ucrânia lança drones apesar de conversas sobre retomada das negociações

Reuters
Rússia bombardeia Kiev e Ucrânia lança drones apesar de conversas sobre retomada das negociações
Rússia bombardeia Kiev e Ucrânia lança drones apesar de conversas sobre retomada das negociações

Por Olena Harmash e Gleb Bryanski

KIEV/MOSCOU, 22 Out (Reuters) - A Rússia bombardeou Kiev com mísseis balísticos e a Ucrânia lançou centenas de drones em direção a Moscou durante a madrugada, conforme os lados em conflito mantinham uma enxurrada de ataques, apesar da mais recente iniciativa dos EUA para pôr fim ao conflito.

A Rússia afirmou na quarta-feira que está pronta para retomar as negociações com a Ucrânia, mediadas pelos EUA, no próximo mês, depois que o presidente Vladimir Putin recebeu o enviado norte-americano Steve Witkoff para conversas em São Petersburgo.

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskiy, disse que espera que as negociações, que seriam as primeiras desde fevereiro, ocorram no início de novembro.

A Ucrânia afirmou que a Rússia disparou pelo menos 21 mísseis balísticos em três ondas. A Rússia disse que a Ucrânia lançou 630 drones em direção à capital, Moscou, durante a noite.

Os dois lados realizaram uma troca de vítimas de guerra, com Moscou entregando 252 corpos e a Ucrânia, 25, segundo a agência de notícias estatal Belta, da vizinha Belarus. Tais trocas já acompanharam iniciativas em direção a negociações no passado.

Mas, enquanto Witkoff falou de “algum grau de impulso” após se reunir com Zelenskiy e autoridades europeias e da Otan em Oslo no início da semana, o Kremlin expressou dúvidas.

“Os norte-americanos perceberam algumas novas nuances (em Oslo) e nos falaram sobre isso. Mas essas nuances, por assim dizer, não nos satisfazem inteiramente”, disse o assessor do Kremlin Yuri Ushakov.

Uma autoridade de alto escalão russa, informada sobre os resultados das conversas entre Putin e Witkoff, declarou que elas foram relativamente curtas e sem conteúdo substancial. O norte-americano levou um conjunto de propostas elaboradas em Oslo e as entregou a Putin para análise, segundo a fonte.

Outra fonte próxima ao Kremlin disse que as propostas dos EUA incluíam um cenário em que a Ucrânia cederia toda a região de Donbas à Rússia em troca de receber uma garantia de sua segurança futura da Otan.

A Rússia afirma ter iniciado a guerra — a mais sangrenta na Europa desde a Segunda Guerra Mundial — em parte para impedir que a Ucrânia se juntasse à Otan. O país tem afirmado repetidamente que não encerrará os combates a menos que a Ucrânia ceda mais território, limite o tamanho de suas forças e seja permanentemente impedida de formar alianças.

A Ucrânia, que afirma que a invasão foi uma guerra de conquista não provocada, há muito rejeita as condições da Rússia como uma exigência de capitulação que a deixaria indefesa contra futuros ataques russos.

ATAQUES

Nesta quinta-feira, Zelenskiy respondeu duramente a Witkoff por este ter elogiado o presidente Vladimir Putin como um “humanitário” durante sua visita à Rússia, quando o enviado dos EUA agradeceu a Putin pela libertação de um norte-americano de 74 anos capturado pelas forças russas na Ucrânia.

“Três ondas de mísseis balísticos foram lançadas contra Kiev pelos ‘humanitários’ russos desde ontem à noite”, postou Zelenskiy no X. “Eles usaram 21 mísseis. Infelizmente, vários locais pela cidade foram atingidos e danificados.”

Ele informou que duas pessoas morreram e 34 ficaram feridas, incluindo cinco crianças, em ataques a uma dúzia de regiões ucranianas.

A Rússia afirmou ter realizado um “ataque massivo” durante a madrugada contra a infraestrutura portuária na região de Odessa, na Ucrânia, bem como contra embarcações utilizadas pelas forças armadas ucranianas.

Na Rússia, duas pessoas ficaram feridas perto de Moscou por drones lançados em direção à capital durante a noite, informou o prefeito Sergei Sobyanin no Telegram. A maioria dos drones foi abatida a longa distância, acrescentou ele.

Na região fronteiriça russa de Belgorod, um homem morreu e outro ficou ferido por drones ucranianos, segundo autoridades locais.

(Reportagem de Olena Harmash e Gleb Garanich em Kiev, Gleb Bryanski em Moscou, Darya Korsunskaya em Londres e Jekaterīna Golubkova em Tóquio)

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