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Romance de escritor russo antes da revolução descreveu sociedade comunista em Marte

MOSCOU — Existiria uma sociedade socialista perfeita como sonharam tantos revolucionários no início do século XX? Essa era a resposta que procuravam os bolcheviques antes de promoverem a revolução que mudaria para sempre o destino da Rússia, entre eles o ativista Leonid, que aceita o convite de um marciano em visita à Terra, pronto para mostrar-lhe que todos os inúmeros sacrifícios que estavam por vir valiam a pena. O Planeta Vermelho era o exemplo de que todo o “sangue derramado (lá embaixo na Terra) era pelo bem do futuro”. É assim que Alexander Bogdanov, um grande profeta do movimento bolchevique e um dos seus ideólogos mais radicais, dá início à novela “Estrela Vermelha”, a primeira a combinar ficção científica e utopia marxista. O diálogo entre Leonid e Menni pouco antes da partida é simbólico:

— Então, vamos. A partir deste momento, sou seu prisioneiro — disse o bolchevique ao marciano, que responde:

— Você é meu camarada.

A primeira edição desta viagem ao mundo que Bogdanov achava possível foi publicada em 1908, poucos anos depois da Revolução de 1905, que ele não achava encerrada. O Planeta Vermelho criado por este médico visionário era o modelo de um sistema socialista sem propriedade privada, competição capitalista, estratificação social ou especialização.

A visão de futuro de Bogdanov talvez fosse ainda mais exaltada que a de Vladimir Lenin, de quem era amigo até que o radicalismo do escritor que vivia em Moscou o separasse do futuro líder da Revolução de Outubro de 1917. Quando o partido marxista russo se dividiu entre bolcheviques, liderados por Lenin, e os mencheviques, Bogdanov resolveu seguir os primeiros. Anos depois, porém, apartou-se e seguiu rumo separado.

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