O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, elevou o tom em uma carta dirigida a Donald Trump, manifestando sua resistência às ameaças do governo dos Estados Unidos de aumentar tarifas sobre produtos colombianos. A mensagem, divulgada nas redes sociais neste domingo (26), destaca a determinação de Bogotá em não se submeter à pressão americana. Petro afirma que os EUA "não dominarão" a Colômbia e que o "bloqueio não assusta" o país.
"Com a sua força econômica e arrogância, pode tentar um golpe de Estado como fizeram com Allende. Mas eu morro na minha lei, resisti à tortura e resisto a você. Não quero traficantes de escravos perto da Colômbia, já tivemos muitos e nos libertamos. O que quero ao lado da Colômbia são os amantes da liberdade. Se você não puder me acompanhar, irei para outro lugar. A Colômbia é o coração do mundo e você não entendeu", disse no texto.
Ele menciona a possibilidade de um golpe de Estado semelhante ao que ocorreu no Chile, em 1973, com a derrubada de Salvador Allende, enfatizando que o governo colombiano não se renderá e continuará resistindo. Petro reforça que deseja ao lado da Colômbia "amantes da liberdade", rejeitando a presença de "traficantes de escravos" nas proximidades.
As declarações surgem após um impasse entre os dois líderes, provocado pela recusa de Petro em aceitar deportações de colombianos dos EUA. Em resposta, Trump havia ameaçado tarifas de 25% sobre produtos colombianos, caso as deportações não fossem aceitas. Após negociações, um acordo foi alcançado, suspendendo temporariamente as tarifas, mas mantendo sanções de visto e inspeções mais rigorosas sobre cidadãos colombianos.
Petro também criticou a postura dos EUA em relação à liberdade dos colombianos, afirmando que sua administração não se "ajoelhará" diante das exigências de Washington. Ele anunciou que, caso os EUA impusessem tarifas elevadas, Bogotá adotaria medidas semelhantes contra produtos estadunidenses, reafirmando sua postura de resistência.
Na conclusão da carta, o presidente colombiano evocou a história e a cultura latino-americana, citando figuras como Simón Bolívar e Noam Chomsky. Petro declarou que a Colômbia está “aberta ao mundo” e que seu povo continuará a lutar pela liberdade e dignidade, reafirmando a identidade nacional e a determinação de construir um futuro de autonomia e respeito.



Aviso