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Rede que faz aborto nos EUA compartilha dados com gigantes da tecnologia

Por Folha de São Paulo / Portal do Holanda

30/06/2022 8h05 — em
Mundo



SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Planned Parenthood, organização que oferece serviços para a saúde reprodutiva e realiza abortos nos EUA, pode compartilhar a localização e até detalhes do procedimento para a interrupção da gravidez com grandes empresas de tecnologia, incluindo Google, Facebook e TikTok. As informações são do jornal The Washington Post.

A conclusão é da empresa Lockdown Privacy, que desenvolve aplicativo para bloquear o rastreamento online. O trabalho aponta que o site da Planned Parenthood não mantém sob sigilo total dados que podem ajudar autoridades na identificação e na formalização de processos contra mulheres que fizeram aborto nos estados em que o procedimento é proibido.

Podem ser compartilhados o endereço de IP e o código postal aproximado de quem acessa o site da organização, além do método do aborto escolhido. "Isso foi absolutamente chocante", disse Johnny Lin, fundador do Lockdown Privacy. "Analisamos e revisamos o rastreamento em centenas de aplicativos e sites, e é raro ver esse grau de descuido com dados confidenciais de saúde."

A porta-voz da Planned Parenthood, Lauren Kokum, não respondeu ao The Washington Post se a organização pretende rever os procedimentos por causa das novas proibições para o aborto nos estados americanos, e nem o motivo para o compartilhamento de informações colhidas nas páginas de agendamento. Ela afirmou que os rastreadores no site são usados para melhorar o desempenho da área de marketing.

Facebook, Google e TikTok não comentaram se atenderiam a eventuais solicitações feitas pelo governo sobre dados de aborto.

A Suprema Corte dos Estados Unidos reverteu na semana passada uma decisão de 1973 que garantia o pleno acesso ao aborto no país. A partir de agora, cada estado americano pode decidir se a interrupção voluntária da gravidez é permitida ou não. A mudança deve afetar especialmente mulheres mais pobres de estados conservadores, uma vez que elas têm menos condições para viajar até outro estado onde o procedimento é autorizado.

Ao menos 13 estados tinham leis já prontas para serem adotadas logo depois do anúncio da corte, e a expectativa é que cerca de outros dez façam o mesmo.



O Portal do Holanda foi fundado em 14 de novembro de 2005. Primeiramente com uma coluna, que levou o nome de seu fundador, o jornalista Raimundo de Holanda. Depois passou para Blog do Holanda e por último Portal do Holanda. Foi um dos primeiros sítios de internet no Estado do Amazonas. É auditado pelo IVC e ComScore.

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