Início Mundo Rede que faz aborto nos EUA compartilha dados com gigantes da tecnologia
Mundo

Rede que faz aborto nos EUA compartilha dados com gigantes da tecnologia

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Planned Parenthood, organização que oferece serviços para a saúde reprodutiva e realiza abortos nos EUA, pode compartilhar a localização e até detalhes do procedimento para a interrupção da gravidez com grandes empresas de tecnologia, incluindo Google, Facebook e TikTok. As informações são do jornal The Washington Post.

A conclusão é da empresa Lockdown Privacy, que desenvolve aplicativo para bloquear o rastreamento online. O trabalho aponta que o site da Planned Parenthood não mantém sob sigilo total dados que podem ajudar autoridades na identificação e na formalização de processos contra mulheres que fizeram aborto nos estados em que o procedimento é proibido.

Podem ser compartilhados o endereço de IP e o código postal aproximado de quem acessa o site da organização, além do método do aborto escolhido. "Isso foi absolutamente chocante", disse Johnny Lin, fundador do Lockdown Privacy. "Analisamos e revisamos o rastreamento em centenas de aplicativos e sites, e é raro ver esse grau de descuido com dados confidenciais de saúde."

A porta-voz da Planned Parenthood, Lauren Kokum, não respondeu ao The Washington Post se a organização pretende rever os procedimentos por causa das novas proibições para o aborto nos estados americanos, e nem o motivo para o compartilhamento de informações colhidas nas páginas de agendamento. Ela afirmou que os rastreadores no site são usados para melhorar o desempenho da área de marketing.

Facebook, Google e TikTok não comentaram se atenderiam a eventuais solicitações feitas pelo governo sobre dados de aborto.

A Suprema Corte dos Estados Unidos reverteu na semana passada uma decisão de 1973 que garantia o pleno acesso ao aborto no país. A partir de agora, cada estado americano pode decidir se a interrupção voluntária da gravidez é permitida ou não. A mudança deve afetar especialmente mulheres mais pobres de estados conservadores, uma vez que elas têm menos condições para viajar até outro estado onde o procedimento é autorizado.

Ao menos 13 estados tinham leis já prontas para serem adotadas logo depois do anúncio da corte, e a expectativa é que cerca de outros dez façam o mesmo.

Siga-nos no

Google News
Quer receber todo final de noite um resumo das notícias do dia?