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Recorde de Messi na Copa do Mundo consolida a longevidade e redefine a grandeza

Reuters

Por Gabriel Araujo

KANSAS CITY, MISSOURI, 22 Jun (Reuters) - A dois dias de completar 39 anos — mais do que Diego Maradona tinha quando se aposentou do futebol —, Lionel Messi não para de quebrar recordes.

Nesta segunda-feira, o capitão da Argentina acrescentou mais um marco à sua carreira, que inclui magia, grandeza e drama, ao marcar dois gols na vitória por 2 x 0 sobre a Áustria para se tornar o maior artilheiro de todos os tempos da Copa do Mundo, com 18 gols.

A cereja de um bolo que já estava bem recheado, ultrapassando a brasileira Marta (17) e o alemão Miroslav Klose (16).

“Sempre disse que o Messi não é ruim”, brincou Klose ao jornal alemão Suddeutsche Zeitung, descrevendo-o como o maior jogador de todos os tempos. Marta, por sua vez, postou emojis de aplausos no Instagram.

Oito vezes vencedor da Bola de Ouro, Messi se tornou o maior artilheiro da história do Campeonato Espanhol durante uma passagem pelo Barcelona que durou quase duas décadas e rendeu 34 títulos, incluindo 10 de La Liga e quatro da Liga dos Campeões.

O clube espanhol apostou em Messi, nascido em Rosário e formado no Newell’s Old Boys, desde muito jovem.

Em 2012, ele já havia sido responsável pelo que muitos descrevem como o melhor ano que um jogador já teve no futebol, marcando 91 gols.

No futebol de clubes, ele detém o recorde de 40 títulos. Pela Argentina, é o jogador com o maior número de partidas disputadas, com 201, e o maior artilheiro de todos os tempos, com 122 gols.

Messi, pai de três filhos, agora também reescreveu a história da longevidade na Copa do Mundo.

Seis edições disputadas e um recorde de 28 partidas. O único jogador a marcar gols na Copa do Mundo ainda na adolescência, na casa dos 20 e na casa dos 30 anos. Agora, prestes a completar 40, ele é autor de um dos triunfos estatísticos mais impressionantes da competição.

A glória com a Argentina, no entanto, demorou para chegar.

Messi apareceu no cenário mundial em 2006 como um prodígio, mas passou por frustrações em 2010 e 2018, além da angústia da derrota na final de 2014 para a Alemanha, no Brasil.

As campanhas na Copa América frequentemente terminavam em decepção, inclusive em 2016, quando ele errou uma cobrança na derrota nos pênaltis para o Chile na decisão.

No entanto, a maré virou e, então, subiu com força. Os títulos da Copa América em 2021 e 2024, com a conquista máxima da Copa do Mundo de 2022 no meio, um triunfo que o ex-atacante Jorge Valdano descreveu como algo que o libertou para a felicidade.

Houve desvios. Uma passagem discreta pelo Paris Saint-Germain entre 2021 e 2023 gerou dúvidas sobre um possível declínio, antes da transferência para o Inter Miami, que muitos consideraram o seu canto do cisne.

Mas Messi continuou produzindo e até mesmo seus tropeços alimentam a narrativa.

Contra a Áustria, ele se tornou o primeiro jogador a perder pênaltis em três Copas do Mundo diferentes, mas respondeu com dois gols que decidiram a partida e reescreveram os livros de recordes.

“Houve momentos em que senti muita raiva depois de perder o pênalti, mas consegui compensar”, disse.

Dentro do elenco da Argentina, a reverência beira o espanto. O zagueiro Lisandro Martínez disse: “Não há necessidade de compará-lo, porque ele está sozinho no topo.”

Quando Messi chegou aos EUA para a Copa do Mundo, ele ainda estava atrás dos 15 gols do brasileiro Ronaldo Fenômeno em Copas do Mundo.

“Para os deuses do futebol, é uma estatística adequada que ele supere a todos. Se há alguém que merece esse título, acho que Messi é o homem perfeito para estar lá”, disse o ex-atacante da seleção brasileira.

O que vem a seguir soa mais como especulação do que previsão. A caminhada rumo aos 1.000 gols na carreira (ele já tem mais de 900)? Um segundo título da Copa do Mundo? Até mesmo uma sétima participação no torneio na casa dos 40 anos, em 2030, quando a Argentina sediará uma das partidas de abertura?

Poucos ousariam colocar um ponto final na carreira de Messi agora. Por sua vez, o capitão da Argentina mantém a porta aberta.

“Enquanto eu puder e me sentir bem o suficiente para jogar, estarei lá”, disse, após marcar três vezes na vitória da Argentina por 3 x  0 na estreia na Copa do Mundo contra a Argélia.

(Reportagem de Gabriel Araujo)

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