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Rapper espanhol foge do país após ser condenado por ofensas à família real

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MADRI — Depois de ter sido condenado a três anos e meio de prisão, por enaltecimento do terrorismo e injúrias à família real espanhola, o rapper Josep Miquel Arenas, mais conhecido como Valtonyc, fugiu da Espanha. A Audiência Nacional — principal instância penal do país — havia dado a ele um prazo de dez dias para se apresentar às autoridades e cumprir a pena depois que o Tribunal Constitucional rejeitou seu recurso. Nesta quarta-feira, a justiça informou que emitirá uma ordem de busca e apreensão a todas as forças e órgãos de segurança do Estado caso o rapper de Maiorca não se entregue voluntariamente.

De acordo com a televisão pública espanhola, Valtonyc fugiu para a Bélgica.

“Amanhã (quinta-feira) é o dia. Amanhã vão bater na porta da minha casa para me colocarem na prisão. Por causa de umas músicas”, escreveu ele no Twitter. “Amanhã a Espanha vai prestar a esse papel ridículo, mais uma vez. Não vou deixar tão barato, desobedecer é legítimo e obrigação diante deste estado fascista. Aqui ninguém se rende”.

Valtonyc foi condenado em fevereiro do ano passado por três delitos, com penas que chegaram a dois anos de prisão. A justiça considerou que uma de suas canções incluíam expressões de apoio a organizações terroristas, como o grupo nacionalista basco ETA — que anunciou esse mês sua dissolução — e os militantes esquerdistas do GRAPO, bem como ofensas contra a Coroa e o presidente do Círculo Balear, Jorge Campos.

Um ano depois, o Supremo retificou a decisão, rejeitando um recurso pedido pela defesa do rapper, que afirmava que ele era amparado pela liberdade de expressão e criação artística. Agora, a Audiência Nacional pede que o músico pague a Jorge Campos uma indenização de € 3 mil, imposta pelo tribunal. Campos denunciou Valtonyc em agosto de 2012 pela música “Circo Balear”.

A sentença não é um caso isolado. Nos últimos meses, vários internautas e artistas foram condenados por mensagens consideradas pela justiça espanhola como crime de glorificação do terrorismo. Foi o caso do rapper Pablo Hasel, condenado em 2 de março a dois anos de prisão por vários tweets e uma música. Em março, a Anistia Internacional (AI) atacou a lei antiterrorista espanhola que pune o crime de “exaltação” e que, segundo a ONG, está sendo usada para “reprimir manifestações de natureza política” nas redes sociais.

Na sexta-feira o rapper fez novas ameças, dessa vez contra policiais, em um show. A Associação Unificada da Guarda Civil (AUGC) disse que fará outra denúncia, considerando que os comentários foram além dos limites da liberdade de expressão e não tiveram nada a ver com suas músicas.

— Mate a porra de um guarda civil hoje à noite, vá para outra cidade onde há guardas civis e mate um — disse ao público. — Vou pisar na cadeia por denunciar esse estado fascista.

“Que alguém de um palco exorte o público a cometer ataques ou a assassinar um trabalhador pelo simples fato de usar um uniforme é algo que deve nos fazer refletir”, disse o sindicato, em nota.

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