Por Luciana Magalhães
(Texto atualizado com mais informações)
SÃO PAULO, 11 Mar (Reuters) - A Raízen anunciou nesta quarta-feira que protocolou um pedido de recuperação extrajudicial, buscando reestruturar dívidas financeiras quirografárias de aproximadamente R$65,1 bilhões.
A companhia, controlada pelo grupo Cosan e pela Shell, vinha discutindo há meses com seus acionistas alternativas para fortalecer sua estrutura de capital e solucionar seu elevado endividamento.
Segundo o fato relevante da companhia, seu plano conta com a adesão expressa de credores signatários titulares de mais de 47% das dívidas financeiras, percentual que demonstra "apoio relevante aos esforços para viabilizar a reestruturação das obrigações financeiras do grupo".
A Raízen afirmou ainda que terá um prazo de 90 dias, a contar do processamento da recuperação extrajudicial, para obter o percentual mínimo necessário à homologação do plano, "assegurando, assim, a vinculação de 100% dos créditos sujeitos aos novos termos e condições de pagamento a serem definidos".
O grupo, que atua como produtor de açúcar e etanol e distribuidor de combustíveis, viu sua dívida líquida saltar para R$55,3 bilhões no final de dezembro, devido a uma combinação de gastos elevados com investimentos, condições climáticas instáveis e incêndios nos canaviais que prejudicaram as colheitas e reduziram os volumes de moagem.
O plano da Raízen não abrangerá dívidas e obrigações com clientes, fornecedores, revendedores e outros parceiros de negócios, "essenciais para a sua operação e continuidade de suas atividades, as quais permanecem vigentes e continuarão sendo cumpridas normalmente nos termos dos respectivos contratos".
A Raízen acrescentou que, conforme já havia sido informado, sua reestruturação financeira poderá envolver uma capitalização por parte dos acionistas, conversão de parte dos créditos em participação acionária na companhia, substituição de parte dos créditos por novas dívidas, reorganizações societárias para segregar parte dos negócios atuais e venda de ativos.
As ações da Raízen caíram até 17% no início do pregão de quarta-feira, antes de recuperarem parte das perdas, embora tenham permanecido voláteis. Por volta das 13h25, subiam 3,85%.
AMEAÇA PARA OPERAÇÕES
A Raízen, maior produtora de açúcar do mundo, sinalizou na semana passada que poderia buscar uma reestruturação extrajudicial para resolver sua crise da dívida, que anteriormente havia levado a Raízen a expressar "relevante incerteza" sobre sua capacidade de continuar operando.
A reorganização da Raízen é a maior já realizada extrajudicialmente no Brasil, segundo Luiz Fabiano Saragiotto, presidente do conselho da TMA Brasil, unidade brasileira da organização global sem fins lucrativos focada em reestruturação corporativa.
Saragiotto afirmou que a medida da Raízen é "mais um passo positivo rumo a uma solução definitiva do que uma preocupação com as operações da empresa".
Um porta-voz da Shell declarou que apoia a reorganização, acrescentando que ela é necessária para lidar com os significativos desafios financeiros da Raízen.
A Shell propôs injetar R$3,5 bilhões para apoiar a Raízen.
A Cosan afirmou em um comunicado regulatório que a reestruturação não tem impacto sobre suas obrigações, operações, estrutura de capital ou posição financeira. Suas atividades e relações comerciais permanecem inalteradas, afirmou a empresa.
(Por Letícia Fucuchima e Luciana Magalhães)

