Início Mundo Quem mais sofre com impacto da guerra no Irã sobre a economia global?
Mundo

Quem mais sofre com impacto da guerra no Irã sobre a economia global?

Quem mais sofre com impacto da guerra no Irã sobre a economia global?
Quem mais sofre com impacto da guerra no Irã sobre a economia global?

Por Yoruk Bahceli e Marc Jones

LONDRES, 20 Mar (Reuters) - Qualquer prolongamento da guerra dos Estados Unidos e de Israel com o Irã corre o risco de criar uma crise sem precedentes no fornecimento de energia, que mais cedo ou mais tarde afetará todos os setores da economia global.

Mas já está claro que alguns países são mais expostos a esse impacto ou menos capazes de lidar com ele.

ECONOMIAS DO G7

Comecemos pela Europa. Um novo choque energético reacende memórias dolorosas na região da invasão russa da Ucrânia, há quatro anos. Esse episódio expôs de forma gritante a dependência do país em relação às importações e fez a inflação disparar para dois dígitos.

ALEMANHA -- Sua economia fortemente industrializada tem mais a perder com o aumento dos preços da energia. A atividade em seu setor manufatureiro só parou de se contrair pela primeira vez desde 2022. E, como exportadora, a Alemanha está exposta a qualquer recessão global.

Um programa de estímulo massivo anunciado pela Alemanha no ano passado ajudará a atenuar parte do impacto, mas a margem para fornecer mais apoio é limitada, dados os déficits orçamentários nos próximos anos.

ITÁLIA -- Também abriga um grande setor industrial. Além disso, o petróleo e o gás têm uma das maiores participações no consumo de energia primária na Europa.

REINO UNIDO -- Sua produção de eletricidade depende mais de usinas a gás do que a de outras grandes economias europeias. Os preços do gás quase sempre determinam os preços da eletricidade -- e estão subindo mais rápido do que os do petróleo desde o início da guerra.

Um teto para o preço da energia irá atenuar o impacto inicial da inflação. O risco é de que isso leve a aumentos nos juros, o que pode fazer com que o Reino Unido fique com as taxas mais elevadas do G7 por mais tempo, em um momento de crescente desemprego. As restrições orçamentárias e a pressão sobre o mercado de títulos limitam suas opções para ajudar empresas e famílias.

JAPÃO -- Também firmemente na linha de fogo, obtendo cerca de 95% de seu petróleo do Oriente Médio e quase 90% dele passando pelo Estreito de Ormuz.

Isso se soma às pressões inflacionárias que o país já enfrenta devido à desvalorização do iene, que impactam os preços de alimentos e produtos de primeira necessidade, dada a forte dependência do Japão em relação à importação de matérias-primas.

EMERGENTES PESOS-PESADOS

A própria região do Golfo Pérsico está inevitavelmente sofrendo um impacto direto, com alguns analistas já prevendo que sua economia irá encolher este ano, revertendo as expectativas de crescimento sólido do período anterior à guerra.

O aumento acentuado dos preços do petróleo e do gás não ajuda em nada se o fechamento efetivo do Estreito de Ormuz significa que os países -- especialmente o Kuweit, o Catar e o Bahrein -- não conseguem levar seus hidrocarbonetos aos mercados internacionais.

O conflito também pode afetar as remessas -- o dinheiro que os trabalhadores expatriados enviam para suas famílias em seus países de origem e que, a cada ano, injeta dezenas de bilhões de dólares nas economias locais.

ÍNDIA -- É outro peso-pesado exposto. Ela importa cerca de 90% do seu petróleo bruto e quase metade do seu gás liquefeito de petróleo. Aproximadamente metade desse petróleo e uma parcela ainda maior do GLP também precisam passar pelo Estreito de Ormuz.

Economistas já estão reduzindo as previsões de crescimento do país, e a rupia despencou para uma mínima histórica. Em restaurantes e cozinhas por toda a Índia, comidas e bebidas quentes -- até mesmo samosas, dosas e chá chai -- estão desaparecendo dos cardápios, à medida que o aumento nos preços do gás leva ao racionamento informal.

TURQUIA -- Fazendo fronteira com o Irã, o país se prepara para um possível fluxo de refugiados e para uma maior incerteza geopolítica. O principal impacto econômico, por sua vez, tem sido sobre o banco central.

O país já está tendo um déjà vu de crises inflacionárias passadas. Foi forçado a interromper seu ciclo de cortes nas taxas de juros pela segunda vez em um ano e vendeu até US$23 bilhões em reservas para fortalecer sua moeda.

PAÍSES FRÁGEIS

Há também alguns países que parecem particularmente vulneráveis, tendo todos passado recentemente por crises econômicas generalizadas ou estado muito perto disso.

SRI LANKA -- O país acaba de decretar todas as quartas-feiras como feriado para os funcionários do setor público, numa tentativa de conter os custos de energia. Escolas, universidades e instituições públicas estão sendo fechadas, o transporte público não essencial foi suspenso e os motoristas agora precisam se cadastrar para obter um Passe Nacional de Combustível, que restringe a compra de combustível.

PAQUISTÃO -- O país, que há dois anos estava à beira de uma crise, aumentou os preços da gasolina e fechou as escolas por duas semanas. Os departamentos governamentais tiveram suas verbas para combustível reduzidas pela metade, estão proibidos de comprar novos aparelhos de ar-condicionado e móveis e receberam ordens para retirar parte de sua frota de veículos de circulação.

EGITO -- Além do aumento vertiginoso do preço dos combustíveis e dos alimentos básicos, o Egito enfrenta a perspectiva de uma queda acentuada nas receitas do Canal de Suez e do turismo, este último responsável por injetar quase US$20 bilhões na economia no ano passado. O custo do pagamento de sua dívida, grande parte dela em dólares, também se tornou mais árduo devido a uma desvalorização de quase 9% de sua moeda desde o início da guerra.

(Reportagem adicional de Leika Kihara em Tóquio; Patrick Werr no Cairo; Ariba Shahid em Lahore; Jonathan Spicer em Istambul)

Siga-nos no

Google News
Quer receber todo final de noite um resumo das notícias do dia?