XIAMEN, China — O presidente da Rússia, Vladimir Putin, alertou nesta terça-feira que uma reação militar às ameaças da Coreia do Norte provocaria uma catástrofe planetária com muitas mortes. Ele chamou a troca de provocações entre o regime asiático e os Estados Unidos de “histeria militar”, numa entrevista a repórteres na China, onde participa da 9ª Cúpula do Brics. A comunidade internacional se mobiliza entre pedidos de calma e sanções mais fortes sobre a crise com os norte-coreanos, que fizeram seu teste nuclear mais poderoso até hoje no domingo.
— Elevar a histeria militar em tais condições é sem sentido. É uma via sem saída — disse o chefe do Kremlin. — Poderia levar a uma catástrofe planetária e enorme perda de vida humana. Não há outro jeito de solucionar a questão nuclear da Coreia do Norte a não ser salvar este diálogo pacífico.
A postura de Putin deve provocar um novo confronto entre Moscou e Washington, que na segunda-feira defendeu sanções mais fortes da ONU contra o regime liderado por Kim Jong-un. Embora tenha condenado o mais recente teste nuclear norte-coreano — em que o regime afirma ter testado uma poderosa bomba de hidrogêneo —, a Rússia sustenta que o recurso a sanções é inútil e ineficaz.
A chanceler federal alemã, Angela Merkel, disse que os ministros de Relações Exteriores da União Europeia discutiriam mais sanções contra a Coreia do Norte pelo seu programa nuclear. Ela defendeu que as novas punições são necessárias urgentemente.
— Os testes nucleares da Coreia do Norte são uma flagrante violação de todas as condições interancionais — disse Merkel. — Eu digo claramente e em nome de todo o governo: pode apenas haver uma solução diplomática e pacífica.
O governo dos EUA, seus aliados europeus e o Japão anunciaram na segunda-feira que negociam severas sanções da ONU contra a Coreia do Norte. O oitavo pacote de sanções apresentado pow Washington será negociado nos próximos dias e votado no Conselho de Segurança, que se reúne em caráter emergencial após a explosão de domingo, será debatido nos próximos dias e votado em 11 de setembro. A posição de China e Rússia — ambas com direito de veto — ainda é incerta. No início de agosto, as mais recentes resoluções contra Pyongyang — cada vez mais severas que as anteriores — foram aprovadas de maneira unânime pelos 15 membros do conselho.
— Os norte-coreanos não vão renunciar a seu programa nuclear caso não sintam que estão em segurança. Portanto é necessário abrir um diálogo entre as partes interessadas — defendeu Putin.
De acordo com fontes diplomáticas, as novas medidas negociadas esta semana poderiam afetar o petróleo, o turismo, o reenvio ao país dos trabalhadores norte-coreanos no exterior e decisões no âmbito diplomático. Trump já ameaçou cortar trocas comerciais com qualquer país que faça negócios com a Coreia do Norte.
Enquanto isso, a Coreia do Sul investe em exercícios militares como demonstração de força ao Norte. Na segunda-feira, simulou um ataque contra a base nuclear onde o regime vizinho conduziu o último teste. Hoje, conduziu manobras de fogo vivo no mar, num recado para dissuadir Pyongygang de novas provocações.
Toda a pressão internacional, no entanto, parece não fazer muito efeito sobre o discurso altamente ameaçador do regime de Kim Jong-un. Nesta terça-feira, a Coreia do Norte disse que enviou recentemente um “pacote de presente” aos EUA e que outros virão em seguida. Han Tae Song, embaixador da Coreia do Norte na Organização das Nações Unidas, fez a declaração em pronunciamento à Conferência do Desarmamento promovida pela ONU em Genebra.
— As recentes medidas de autodefesa do meu país são pacotes de presente endereçados a ninguém mais que os EUA — disse Han. — Os Estados Unidos continuarão a receber mais pacotes de presente do meu país enquanto continuarem recorrendo a provocações imprudentes e tentativas fúteis de colocar pressão na Coreia do Norte.

