BOSTON — Um grupo de 20 procuradores-gerais americanos, todos democratas, pediu nesta quinta-feira em uma carta ao vice-procurador-geral dos EUA, Rod Rosenstein, a nomeação de um conselheiro especial independente para continuar a investigação sobre a interferência russa nas eleições presidenciais do ano passado. Liderados pela procuradora-geral de Massachusetts, Maura Healey, eles chamaram a demissão do diretor do FBI, James Comey, pelo presidente Donald Trump de uma violação da confiança pública.
Charles Schumer, líder democrata no Senado, já havia pedido a designação de um procurador especial para continuar a investigação, mas a Casa Branca rejeitou enfaticamente os apelos da oposição. Na mensagem a Rosenstein, o grupo afirma que apenas a nomeação de um conselho especial independente "com plenos poderes e recursos" pode começar a restaurar a confiança pública. A carta é assinada pelos procuradores-gerais da Califórnia, Connecticut, Delaware, o Distrito de Colúmbia, Havaí, Iowa, Illinois, Maine, Maryland, Minnesota, Novo México, Nova Iorque, Carolina do Norte, Oregon, Vermont e Washington.
Em março, o então diretor do FBI James Comey confirmou a existência da investigação sobre uma possível interferência russa nas eleições presidenciais em uma audiência do Congresso. O inquérito analisa as alegações de conluio entre a Rússia e a campanha de Trump para prejudicar a candidata democrata Hillary Clinton. A decisão de Trump de demitir Comey na terça-feira provocou um terremoto político e deflagrou comparações imediatas com o caso do escândalo Watergate, que levou à renúncia de Richard Nixon em 1974. Democratas intensificaram as acusações de que a remoção de Comey teve como objetivo minar a apuração do FBI.
Questionado sobre o assunto pela imprensa no Salão Oval na quarta-feira pela manhã, Trump disse que Comey não fazia um bom trabalho. No Twitter, Trump insistiu em que "Comey perdeu a confiança de quase todo mundo em Washington, tanto de republicanos quanto de democratas. Quando as coisas se acalmarem, vão me agradecer".
Andrew McCabe assumiu como diretor interino do FBI até que um novo nome seja indicado.

