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Prisões contra terror aumentam 68% em um ano no Reino Unido

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LONDRES — Os blocos de concreto que agora cercam algumas das áreas turísticas de Londres são uma lembrança dolorosa de que o Reino Unido vive tempos difíceis. Em março, um extremista islâmico atropelou e matou quatro pedestres na Ponte de Westminster antes de ser morto pelos seguranças do Parlamento. Em maio, um terrorista suicida detonou uma bomba durante um show em Manchester, matando 22 pessoas. Um mês depois, três jihadistas atropelaram e esfaquearam pedestres que atravessavam a London Bridge ou se divertiam na noite do boêmio Borough Market. Oito morreram. Também em junho um radical anti-islâmico atropelou fiéis que deixavam a mesquita de Finsbury Park, no Norte de Londres. O país atravessa um momento sem precedentes na luta contra o terror, que já levou a um aumento de 68% no número de prisões em um ano.

Segundo relatório divulgado pelo Ministério do Interior, foram 379 detenções entre os meses de junho de 2016 e deste ano. Dentre os presos, 123 foram formalmente acusados de ligação com o terrorismo — 33 já foram condenados. Após o ataque na Ponte de Westminster, no coração de Londres, a polícia conseguiu impedir seis atentados. Desde 2013, foram 13 tentativas desbaratadas.

Para o especialista em segurança internacional Sajjan Gohel, diretor da Fundação Ásia-Pacífico, a explosão de uma bomba artesanal no sistema de transporte público é mais uma tática do terrorismo de baixo custo e grande impacto, como o uso de carros para atingir pedestres em áreas movimentadas.

— Isso prova que os terroristas vão tentar de tudo para driblar as medidas de segurança. A primeira meta deles é matar e a segunda é causar o caos. A explosão em Parsons Green interrompeu uma parte do transporte de Londres, afetando milhares de pessoas. E tem ainda o impacto psicológico. Muita gente agora vai ter medo de pegar o metrô. Esse é outro objetivo do terror: afetar a maneira como nos sentimos em relação à nossa segurança — disse Gohel ao GLOBO.

A lei britânica antiterror permite a detenção de suspeitos por até 14 dias mesmo sem uma acusação formal. Esse prazo chegou a 28 dias em 2006, mas foi reduzido pelo Parlamento cinco anos depois. Para Gohel, o país tem leis suficientemente duras para combater o extremismo. Mas Londres vive o mesmo dilema enfrentado por outras capitais: como encontrar um equilíbrio entre a guerra contra o terror e o respeito às liberdades individuais?

— É muito difícil prevenir um ataque como o que ocorreu em Parsons Green ou conseguir informações de Inteligência que impeçam esse tipo de ação.

Segundo ele, as derrotas sofridas pelo Estado Islâmico na Síria podem levar ao aumento da ameaça em grandes cidades europeias.

— Há duas coisas que podem ser feitas. Uma é o aumento da vigilância por parte da população, que precisa alertar as autoridades sobre qualquer movimento suspeito. Não podemos fingir que não estamos vendo nada ou que não é nossa responsabilidade avisar. As consequências do silêncio podem ser devastadoras. Outro ponto é aumentar a verba para a polícia. Os programas de integração entre a polícia e as comunidades sofreram cortes profundos nos últimos anos. Esse trabalho de base é fundamental para se chegar a indivíduos envolvidos com o terror — diz o especialista.

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