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Presidente de operadora do Elevador da Glória renuncia após relatório apontar falha em acidente em Lisboa

LISBOA, PORTUGAL (FOLHAPRESS) - O presidente da Companhia Carris de Ferro de Lisboa, Pedro Bogas, pediu demissão na tarde desta quarta-feira dia 22. A empresa foi responsabilizada pelo desastre do Elevador da Glória, que se espatifou contra um prédio no dia 3 de setembro, causando a morte de 16 pessoas. Carlos Moedas, presidente da Câmara Municipal de Lisboa —cargo que em Portugal equivale ao de prefeito— aceitou a demissão de Bogas e de todo o Conselho de Administração da Carris, que é uma empresa pública municipal.

A demissão se dá na esteira do relatório divulgado ontem pelo Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários (GPIAAF), órgão federal do Ministério das Infraestruturas encarregado de examinar as causas da tragédia. Embora o documento tenha caráter preliminar, pois a investigação policial ainda não foi concluída, seu teor foi demolidor para a administração da operadora Carris, ao constatar diversas formas de negligência, problemas técnicos e falhas de processo.

O Elevador da Glória se compunha de dois bondes sobre trilhos que ligavam a parte alta à parte baixa da cidade, ligados por um cabo. Eles se movimentavam simultaneamente, um subindo e outro descendo, num mecanismo de contrapesos. A tragédia ocorreu porque o cabo se rompeu na ligação com o bonde que iria iniciar a descida, fazendo com que o veículo despencasse ladeira abaixo.

De acordo com o relatório, o cabo utilizado não estava certificado para veículos do tipo do Elevador da Glória. Sua compra foi um equívoco, causado por erro no envio das especificações para o fornecedor da Carris, e o controle interno da empresa não percebeu. O GPIAAF também constatou falhas na inspeção diária —de acordo com os relatórios, várias tarefas não haviam sido devidamente executadas. A verificação da junção entre o cabo e o veículo nem constava no protocolo de segurança. Para que ocorresse devidamente, parte do mecanismo deveria ser desmontado, o que obrigaria a uma parada de cerca de dois dias no funcionamento.

A responsabilidade pela instalação e manutenção do equipamento era 100% da Carris. Por razões de patrimônio histórico, veículos como o Elevador da Glória não estavam sujeitos à fiscalização do Instituto de Mobilidade e Transportes, órgão federal responsável por aferir a segurança dos bondes de Lisboa.

Inaugurado em 1885, o Elevador da Glória tinha mecanismos de segurança defasados pelo tempo. Para o caso de rompimento do cabo havia um sistema de freios de emergência —o qual, de acordo com o relatório do GPIAAF, nunca havia sido testado antes. O funcionário responsável pelo acionamento do sistema, o guarda-freios André Jorge Gonçalves Marques, foi um dos mortos no acidente. Não há previsão de retorno ao funcionamento da atração turística.

Em nota oficial em que aceitou a demissão de Bogas e do Conselho de Administração, Carlos Moedas disse que "compreende e aceita os motivos apresentados, considerando fundamental a nomeação de uma nova administração, que será apresentada oportunamente para um novo mandato". O presidente da Câmara (prefeito) recém-reeleito também afirmou "querer restabelecer o mais depressa possível a total confiança e credibilidade de uma empresa fundamental para a cidade de Lisboa".

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