Início Mundo Presidente de El Salvador decreta estado de emergência máximo em prisões
Mundo

Presidente de El Salvador decreta estado de emergência máximo em prisões

Envie
Envie
BUENOS AIRES, ARGENTINA (FOLHAPRESS) - Em sua escalada autoritária, o presidente de El Salvador, Nayib Bukele, decretou estado de emergência máxima nas prisões do país. Agora, presos estão proibidos de sair para tomar sol e membros de diferentes facções criminosas (conhecidas como "maras" em El Salvador) podem ficar nas mesmas celas. Visitas de familiares também foram suspensas. O próprio governo divulgou fotos em que detentos aparecem enfileirados, muito próximos uns dos outros, em meio à pandemia do coronavírus. Bukele justificou a aplicação da medida após as "maras" promoverem, do lado de fora das prisões, ataques coordenados que teriam matado 24 pessoas. O governo afirma que as ações foram planejadas por integrantes de facções dentros dos presídios. Bukele ainda autorizou o uso de força letal por parte da polícia e de militares contra membros de gangue. O diretor-geral de centros penais, Osiris Luna, disse que, a partir desta segunda-feira (27), "acabaram as separações de celas por facções criminosas", medida usada para evitar brigas entre detentos. Com a mudança, o governo tenta quebrar a comunicação entre integrantes de uma mesma gangue. Luna também afirmou que os presos serão mais vigiados para que não tenham acesso a telefones celulares, que entram por meio de visitas, de forma clandestina. O governo não explicou, porém, se foram realizadas investigações para determinar se as ordens para os ataques foram dadas a partir das prisões. No Twitter, Bukele escreveu que "todos ficarão totalmente fechados, não haverá nenhum raio de sol para ninguém". O presidente, que vem chamando a atenção por tomar medidas duras no combate ao coronavírus, com aumento da militarização no país, tem popularidade alta, de 85,9%, segundo pesquisa recente. Bukele, que já havia mostrado tendências autoritárias ao entrar no Congresso com as Forças Armadas em fevereiro, encontra no combate ao vírus a desculpa ideal para avançar sobre os outros poderes e comprometer a institucionalidade do país. Segundo relatório da ONG Human Rights Watch, até 15 de abril havia 4.236 pessoas detidas nos chamados centros de contenção sob acusação de violar a quarentena ou sob suspeita de terem contraído a doença em viagens recentes ao exterior. Oposição, Judiciário e parte da sociedade questionam as detenções e a excessiva militarização nas ruas ordenada por Bukele. Ainda que a Suprema Corte de Justiça tenha determinado a libertação dos que estão presos nos centros de contenção e não foram contaminados, Bukele disse que não cumpriria a medida e acusou os juízes de terem "um mórbido prazer de ver o povo morrer". A oposição, mesmo quando se mostra favorável às medidas de restrição, pede que as regras sejam regulamentadas e discutidas pelo Legislativo. O presidente, por sua vez, responde que, em casos de emergência como o da atual pandemia, é ele quem manda. Segundo autoridades, 12.862 integrantes de gangues estão detidos em prisões salvadorenhas.

Siga-nos no

Google News