WASHINGTON — O presidente da Comissão de Inteligência da Câmara dos Estados Unidos negou nesta segunda-feira a existência de grampos na Trump Tower, do presidente Donald Trump, mas disse que era possível que outro tipo de vigilância tenha sido usado contra o republicano. Sem apresentar provas, Trump acusou o seu antecessor, Barack Obama, de tê-lo espionado durante a campanha eleitoral do ano passado, colocando escutas telefônicas no edifício em Nova York, o que foi rejeitado veementemente pelo ex-presidente democrata.
— Deixem-me ser claro: sabemos que não houve nenhuma escuta na Trump Tower, mas é possível que outras atividades de vigilância tenham sido usadas contra o presidente Trump e seus sócios — afirmou o deputado republicano Devin Nunes, em sua declaração de abertura em uma audiência no Congresso sobre o envolvimento da Rússia nas eleições presidenciais de 2016.
Nunes disse que “numerosos” funcionários atuais e antigos dos Estados Unidos vazaram informações potencialmente confidenciais e que sua comissão pretendia identificá-los para levá-los à Justiça.
Os chefes do FBI, James Comey, e da Agência de Segurança Nacional dos EUA (NSA, na sigla em inglês), Mike Rogers, testemunham publicamente pela primeira vez ante o Congresso sobre as acusações de suposto conluio entre a Rússia e a equipe de Trump para favorecê-lo na disputa presidencial, além das alegações de Trump de que teria sido vigiado pelo governo Obama. O assunto está no centro das atenções durante semanas, agitando a política e perturbando o novo governo.
A Inteligência dos Estados Unidos acusou Moscou de ter hackeado servidores do Comitê Nacional Democrata no ano passado para prejudicar a candidata Hillary Clinton, algo que a Rússia negou enfaticamente.
Várias comissões do Congresso iniciaram investigações sobre o assunto, incluindo os comitês de Inteligência de Deputados e do Senado, que têm jurisdição sobre 17 agências de Inteligência do país, assim como as comissões de Justiça de ambas as câmaras. Muitos legisladores manifestaram sua frustração pela falta de cooperação com o FBI.

