Início Mundo Presidente catalão pede uma ‘mediação’ do conflito com Madrid
Mundo

Presidente catalão pede uma ‘mediação’ do conflito com Madrid

GIRONA e BARCELONA - O presidente regional da Catalunha, o separatista Carles Puigdemont, pediu neste sábado uma “mediação" para solucionar o conflito que mantém com o governo central espanhol às vésperas da realização de um referendo sobre a independência da região, marcado para este domingo.

Em uma entrevista à agência de notícias AFP, Puigdemont advertiu que, apesar da oposição da Justiça e outras instituições espanholas, os eleitores catalães não ficarão em casa e não renunciarão ao direito de votar neste domingo sobre a questão, que há anos “envenena” as relações entre a Catalunha e o governo central espanhol.

- Devemos expressar uma vontade clara de que haja uma mediação qualquer que sejam os cenários – afirmou Puigdemont na cidade de Girona, da qual foi prefeito entre 2011 e 2016, quando assumiu a Presidência da região. - Ganhe o ‘sim’, ganhe o ‘não’, em qualquer dos cenários deve haver uma mediação porque as coisas não funcionam, sejamos honestos.

Desde 2012 os dirigentes catalães clamam por um referendo sobre a independência desta região, cujos cidadãos estão divididos sobre a secessão mas apoiam amplamente um escrutínio acordado com Madrid. Mas o Executivo central liderado por Mariano Rajoy rechaça negociar a respeito, argumentando que a Constituição do país não permite esta votação, já suspensa pelo Tribunal Constitucional.

Embora Puigdemont não tenha dirigido seu apelo a nenhuma instituição específica, ele assegurou que seria lógica “uma atitude ativa de seguimento e de interesse da parte da União Europeia (UE)”, a qual mandou uma mensagem crítica.

- Entendo que (a UE) tem compromissos com o Estado espanhol porque tem sido assim sempre, mas pare de olhar para o outro lado – afirmou. - Não é eficaz nem razoável nem sensato que o presidente da Comissão Europeia (Jean-Claude Juncker) não tenha encontrado tempo em sua agenda para preguntar se o quê está acontecendo nesta parte, creio que importante, da União Europeia.

A menos de 24 horas do referendo que detonou as relações com o governo central de Mariano Rajoy, Puigdemont se mostrou aberto a “desconvocar” o escrutínio se o poder central aceitar negociar uma votação oficial. Mas, se não for assim, “o governo (catalão) dispõe de tudo para que se possa fazer (a votação) em total normalidade.

E, apesar do forte aparato policial e judicial lançado para impedir o referendo, “o que não vai acontecer é que fiquemos em casa e renunciemos a nossos direitos”, afirmou, pedindo a seus simpatizantes que mantenham uma “atitude pacífica”.

Enquanto isso, a polícia espanhola se movimenta para tentar impedir a votação. Neste sábado, agentes isolaram mais da metade dos 2,3 mil prováveis centros de votação na Catalunha.

“Dos 2.315 postos de votação, 1.300 já foram interditados” pela Polícia catalã, disse o representante do governo da Espanha nessa região, Enric Millo. Ele acrescentou que 163 desses locais estão ocupados por ativistas, “que estão fazendo, com toda paz e civicamente, atividades culturais, ou esportivas”, e aos quais será permitido sair, embora ninguém mais possa entrar.

- Portanto, em 90% dos centros isolados, não há ninguém dentro - frisou, reconhecendo que se trata de um processo longo e que, entre os mil centros ainda por fechar, pode haver dezenas ocupados.

A realização do referendo divide não só a Catalunha como outras partes do país, com manifestações em diversas cidades neste sábado em apoio tanto à unidade nacional quanto ao direito dos catalães decidirem seu futuro

Siga-nos no

Google News
Quer receber todo final de noite um resumo das notícias do dia?