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‘Premier Orbán será, ainda mais, Cavalo de Troia do Kremlin’, diz analista

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BERLIM — Para o cientista político alemão Hajo Funke, da Universidade Livre de Berlim, o primeiro-ministro Viktor Orbán será o maior desafio para a União Europeia nos próximos quatro anos. Em entrevista ao GLOBO, Funke afirmou que o líder do Fidesz foi ajudado ontem pelo aumento de participação dos eleitores nos seus redutos em pequenas cidades e aldeias.

A oposição estava confiante ao ver o alto índice de comparecimento às urnas. Estavam errados?

Ao que tudo indica, o aumento do número de eleitores ocorreu principalmente em redutos dominados por Orbán, nas pequenas cidades do leste do país, onde as urnas continuaram abertas além do horário previsto. Nas cidades grandes, a oposição, pelo menos a do Jobbik, de extrema-direita, teve mais chances, o que, porém, não chegou a ser uma ameaça real ao Fidesz.

Em Bruxelas, a eleição foi acompanhada com suspense. A UE sofrerá mais ataques verbais de Budapeste?

Orbán será o maior desafio para a UE porque ele tem mostrado que não tem nenhum escrúpulo diplomático ao criticar o bloco. Além disso, ele será, ainda mais, o Cavalo de Troia do Kremlin na UE. Mas talvez a culpa seja da própria UE, que suspendeu o diálogo com a Rússia, o que vejo como um desenvolvimento dramático.

Outros países do grupo Visigrad (Polônia, República Tcheca e Eslováquia) pouco estão preocupados em seguir as regras da UE, mas não são alvo de represálias concretas. A UE pode acabar vítima da falta de clareza das suas leis?

É um aspecto que precisa ser melhorado, com um mecanismo que obrigue os países do bloco a seguirem as decisões. Bruxelas não tem condições de impor nada, nem que os países aceitem a sua cota dos refugiados. Mas o problema é também que esses países traíram os ideais da UE, com o discurso anti-imigração.

Há risco de expansão desses movimentos de extrema-direita na Europa Ocidental?

O risco existe, mas o presidente Emmanuel Macron na França mostrou que não devemos nos resignar. Orbán continua no poder na Hungria, mas foi possível evitar Marine Le Pen na França, e acredito que evitaremos o AfD (Alternativa para a Alemanha). A extrema-direita sempre existiu. A novidade é a maior organização e criação de redes via internet.

A jornalista Anna Frenyo disse que a Hungria é criticada, mas faz o trabalho sujo da Europa ao fechar a rota dos refugiados com uma cerca. O Fidesz integra a mesma bancada do partido de Angela Merkel. A distância entre os dois não é, então, tão grande?

Não concordo. A cerca foi alvo de muitas críticas. E a Hungria teve a sua participação no caos de 2015, pois não tomou nenhuma medida para ajudar ou organizar o movimento dos refugiados. Orbán deixou a situação escalar de forma dramática. Merkel é uma crítica de Orbán, embora o seu partido faça parte do mesmo grupo no Parlamento Europeu.

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