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Prefeito é atingido por gás de pimenta ao tentar proteger manifestantes na França

Estadão

O prefeito de uma comuna na região metropolitana de Paris foi atingido por gás lacrimogêneo ao tentar proteger manifestantes na terça-feira, 6, em meio aos protestos estudantis que tomaram as ruas da França nesta semana.

O prefeito de Saint-Denis, Bally Bagayoko, do partido de esquerda França Insubmissa (LFI, na sigla em francês), tem participado ativamente das manifestações.

Um vídeo que circula nas redes sociais mostra Bagayoko em frente a um grupo de jovens, na região da Praça da República. A maior parte dos manifestantes usava tecidos escuros para proteger o rosto. Quando os policiais se aproximam, Bagayoko abre os braços e grita: "Parem, parem, vocês parem."

Em outra imagem, registrada pouco depois, o prefeito aparece sendo levado para outro local por manifestantes, que andam ao redor dele. Um dos homens joga soro fisiológico nos olhos de Bagayoko para ajudar a aliviar a irritação, após ele ter sido atingido por gás lacrimogêneo.

"Estive hoje [quarta-feira] ao lado dos estudantes do ensino médio e universitários mobilizados em Paris. Testemunhei um uso totalmente desproporcional da força contra jovens que simplesmente pedem para ser ouvidos", escreveu Bagayoko em uma publicação no X.

"Aos jovens mobilizados: suas reivindicações são legítimas. Continuem se organizando e fazendo suas vozes serem ouvidas. Mas não cedam a nenhuma provocação. Permaneçam unidos e não violentos", acrescentou.

"Hoje, no coração da manifestação, estive onde um prefeito deve estar: ao lado de nossa juventude, para protegê-la e apaziguar as tensões. E foram esses jovens que formaram um bloco ao meu redor. Espontaneamente. Fraternalmente", disse Bagayoko.

O prefeito também pediu que o Ministério do Interior revise as orientações em relação à atuação dos policiais "antes que ocorra uma tragédia". Nesta quarta-feira, 7, a França já suspendeu o uso de granadas de efeito moral após um adolescente de 15 anos perder a mão durante uma manifestação no norte do país.

Segundo o ministro do Interior, Laurent Nuñez, os artefatos não serão utilizados nesses protestos até que os incidentes registrados sejam esclarecidos.

Após a participação de Bagayoko nos protestos, o prefeito de Nice, Éric Ciotti, pediu a destituição do integrante da França Insubmissa. Em entrevista à emissora francesa CNews , Ciotti acusou Bagayoko de "incitar a violência" e disse que esse procedimento pode ser adotado se "um prefeito trai seu mandato".

"A possibilidade, cada vez mais concreta, de que a França Insubmissa frustre todos os cenários deles para 2027 está deixando-os em pânico a esse ponto?", escreveu Bagayoko no X em resposta a Ciotti.

Segundo o jornal francês 20 minutes, na semana passada, o prefeito também foi alvo de uma denúncia à Justiça feita pelo chefe da Polícia de Paris, Patrice Faure, por "supostos atos de incitação à prática de um delito".

Desde setembro, a França tem assistido aos protestos de alunos do Ensino Médio. As manifestações, que já são consideradas históricas, começaram em escolas da região de Paris e já atingem todo o país, em uma paralisação que pede melhores condições de estudos, higiene e progressão de carreira entre a escola e a faculdade.

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