Por May Angel
LONDRES, 2 Set (Reuters) - Os preços globais dos fertilizantes recuaram em relação aos picos registrados durante a guerra entre os EUA e o Irã, mas os agricultores ainda enfrentam dificuldades para arcar com esses custos, já que os preços relativamente baixos dos produtos agrícolas reduziram suas margens de lucro, afirmou o Rabobank nesta quarta-feira.
Cerca de um terço do fluxo de fertilizantes costuma passar pelo Estreito de Ormuz e tem sofrido grandes interrupções desde o início da guerra.
Motivo de especial de preocupação são os fertilizantes à base de fosfato, cujos preços dispararam na esteira da guerra entre os EUA e o Irã e, ao contrário da ureia à base de nitrogênio, não recuaram porque os preços do enxofre -- insumo essencial para a produção de fosfatos -- permanecem em níveis recordes.
O Oriente Médio é responsável por quase metade das exportações de enxofre, e os embarques caíram quase pela metade à medida que a guerra se prolongava.
O Rabobank espera que a acessibilidade dos fosfatos permaneça negativa até pelo menos julho do ano que vem. O banco afirmou que a retomada das exportações chinesas poderia trazer algum alívio, mas é improvável que reequilibre o mercado.
Apesar das restrições à acessibilidade dos fertilizantes, das interrupções no comércio e dos riscos climáticos, o banco afirmou que os mercados de commodities agrícolas continuam bem abastecidos no geral, graças ao acúmulo de estoques globais.
Embora se espere que a produção de milho, arroz e trigo diminua este ano, os altos estoques globais devem manter os preços dentro das faixas estabelecidas, mesmo que na extremidade superior, afirmou o banco.
"As tendências atuais da relação estoques/consumo não se assemelham ao forte aperto observado em meados dos anos 2000, e o mercado parece mais resiliente, com maior capacidade de absorver choques", afirmou o Rabobank.
MAIS REDUÇÕES NO MERCADO DO BRASIL SÃO POSSÍVEIS
No mesmo relatório, o Rabobank afirmou que mais ajustes negativos no mercado de fertilizantes do Brasil são possíveis, diante das condições complexas no Oriente Médio.
Contudo, o banco manteve em 45,1 milhões de toneladas a previsão das entregas de fertilizantes no Brasil em 2026, ante um recorde de 49,1 milhões em 2025.
O Rabobank lembrou que já havia reduzido a projeção de entregas em meados do ano, ante 47 milhões na previsão de abril.
O Brasil é um dos maiores importadores de fertilizantes do mundo e também um dos maiores consumidores.
(Com reportagem adicional de Roberto Samora, em São Paulo)



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