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Postura neutra serve apenas para escalada das tensões, diz chefe da embaixada da Ucrânia no Brasil

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Chefe da embaixada da Ucrânia no Brasil, o diplomata Anatoliy Tkach afirmou nesta terça-feira (22) que toda a comunidade internacional é responsável pela prevenção do conflito no leste do país europeu e que uma postura neutra serve apenas para a escalada das tensões. Ele fez ainda um apelo para que o governo Jair Bolsonaro (PL) condene a decisão do presidente russo, Vladimir Putin, de reconhecer os territórios rebeldes de Donetsk e Lugansk e mandar tropas para essas localidades.

"Toda a comunidade internacional é responsável pela prevenção do novo conflito. A ausência de uma postura ou uma postura neutra servirá apenas para uma maior escalada [das tensões]", declarou Tkach, durante uma entrevista online.

Após meses em que Estados Unidos e aliados denunciaram a concentração de tropas russas na fronteira com a Ucrânia, Putin reconheceu, na segunda (21), as áreas autônomas resultantes da guerra civil no leste ucraniano. Depois de assinar o ato, determinou o envio de tropas do Kremlin para apoiar os separatistas étnicos russos.

Na entrevista, Tkach também defendeu que o Brasil condene a ação russa --o que o governo Bolsonaro não fez até o momento.

"Gostaríamos de contar com um apoio do Brasil na questão relacionada à decisão de ontem [tomada por Putin]. O Brasil sempre se pronunciou a favor da retomada das negociações diplomáticas e também gostaríamos que o Brasil condenasse a decisão da federação da Rússia", afirmou.

A posição brasileira sobre o tema foi manifestada na segunda-feira pelo embaixador do país na ONU, Ronaldo Costa Filho, durante sessão do Conselho de Segurança.

Na ocasião, o diplomata brasileiro defendeu um cessar-fogo imediato, bem como a "retirada abrangente de tropas e equipamentos militares no terreno". No entanto, Costa Filho não mencionou Putin em seu discurso e evitou qualquer condenação à decisão russa de reconhecer os territórios e ocupá-los militarmente.

Com isso, o Brasil tenta se equilibrar no delicado tabuleiro internacional e não se indispor com o governo Putin. A Rússia é parceira do Brasil nos Brics (bloco também formada por Índia, China e África do Sul) e foi destino, na semana passada, de uma visita do presidente Bolsonaro.

O chefe da embaixada ucraniana em Brasília argumentou que a manifestação do Brasil na ONU "foi um sinal claro que o discurso da Rússia não está influenciando todos os membros da comunidade internacional".

A passagem de Bolsonaro por Moscou em meio à escalada das tensões na fronteira ucraniana foi controversa. A agenda foi mantida mesmo depois de pressões dos EUA para que Bolsonaro cancelasse a viagem.

Em declarações, Bolsonaro expressou "solidariedade" à Rússia e se referiu a Putin como alguém que busca a paz, o que provocou críticas do governo americano.

Nesta terça, Anatoliy Tkach afirmou que a Ucrânia vive a "ameaça real de uma invasão russa" que visa ocupar parte ou a totalidade de seu território.

"Essa invasão seria uma violação grave dos princípios fundamentais do direito internacional e a Ucrânia, junto com os seus parceiros, está aplicando os esforços diplomáticos para impedir [que ela ocorra]".

Ele afirmou também que a determinação de Putin de reconhecer os territórios de Donetsk e Lugansk "viola os princípios fundamentais do direito internacional" e significa a retirada unilateral russa dos acordos de Minsk --mecanismo de diálogo criado para tentar solucionar o conflito no leste ucraniano.

"Entendemos os propósitos das ações da Rússia, de provocar a Ucrânia, mas estamos comprometidos com a solução político-diplomática do conflito armado", declarou.

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