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Possível demissão de promotor gera críticas a Trump de vários lados

WASHINGTON - Donald Trump parece não aprender com os erros. Um mês após demitir o diretor do FBI — o que agravou a crise de seu governo, pois o presidente foi acusado de, com o ato, tentar barrar as investigações sobre o eventual conluio de sua campanha com a interferência russa nas eleições — o presidente americano estuda demitir Robert Mueller, o ex-diretor do FBI que foi indicado como promotor especial independente para o caso. A informação foi divulgada por um amigo de Trump em uma entrevista à TV que gerou uma onda imediata de críticas.

Analistas afirmam que a medida geraria uma reação imediata do Congresso, que poderia acelerar seu caminho na investigação do presidente e, no futuro, um eventual pedido de processo de impeachment — sua demissão, imediatamente, seria comparada ao comportamento de Richard Nixon durante o Watergate. Trump já está sendo acusado de obstruir a Justiça e este ato seria um novo ingrediente. O governo indicou Mueller, tido com reputação ilibada e que comandou o FBI por 13 anos, justamente na esteira da demissão de Comey. O ato foi elogiado, na época, por governistas e democratas.

— Trump está considerando, talvez, demitir o promotor especial. Acredito que está avaliando esta opção — disse Christopher Ruddy, diretor-executivo da Newsmax Media e amigo de Trump, à emissora pública PBS. — O presidente o entrevistou para ser diretor do FBI dias depois de sua nomeação como promotor especial, mas poderia haver algum conflito de interesse (com a família Trump).

Mesmo republicanos reagiram.

— Seria um desastre. Não há razão para demitir Mueller. O que ele fez? — questionou o senador Lindsey Graham.

O deputado Peter King, um dos principais aliados de Trump no Congresso, disse não ver razões para a demissão. A oposição aproveitou, e alguns dos discursos tinham tom de ameaça:

— Se o presidente demitir Mueller, o Congresso o restabeleceria imediatamente — disse o deputado democrata Adam Schiff, que integra a Comissão de Inteligência da Câmara dos Representantes.

A Casa Branca tentou controlar o escândalo. A porta-voz Sarah Huckabee Sanders disse que Ruddy “falava por si”, sem desmentir a especulação. O número dois do Departamento de Justiça, Rod Rosenstein, assegurou que Trump não tem motivos nem intenções de demitir Mueller. O presidente não tem poder direto para demitir um promotor, e depende do Departamento de Justiça. Questionado sobre esta possibilidade, Roseinstein ficou em cima do muro:

— Apenas cumprirei instruções se considerar que são legais e adequadas — disse.

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