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Política de ódio levou a recuo de direitos humanos, diz ONG

REINO UNIDO — A iniciativa do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de proibir a entrada de cidadãos de diversos países de maioria muçulmana, tomada logo após sua posse no começo de 2017, foi um prenúncio de um ano marcado por uma emergente retórica de ódio e por uma estratégia de criminalização a minorias, propagadas por diversos líderes mundiais. E os passos dados por Trump foram apenas alguns entre os de vários outros governos: de acordo com um relatório anual de direitos humanos, publicado ontem pela Anistia Internacional (AI), ao longo de 2017, milhões de pessoas provaram os frutos amargos de políticas semelhantes ao redor do mundo. O documento, que abrange 159 países, apresenta, no entanto, um alento: mostra que um movimento crescente de ativistas oferece esperança real de reverter o quadro de opressão.

“O movimento, de forma transparente e odiosa, cometido pelo governo dos EUA (...), preparou a cena para um ano em que os líderes levaram a política do ódio à sua conclusão mais perigosa”, diz Salil Shetty, secretário-geral da ONG, no relatório.

ATENTADO À LIBERDADE DE EXPRESSÃO

Os casos citados incluem, além deste e de outros exemplos do governo Trump, repressão aos direitos de protesto na França; tentativas de reverter as conquistas das mulheres em países como EUA, Rússia e Polônia; e perseguição à imprensa em Turquia, Egito e China, dentre muitas políticas do gênero. Em partes da Europa e da África, o medo e a xenofobia ainda pairaram sobre várias eleições importantes. Mas suas consequências derradeiras foram expostas na campanha militar de limpeza étnica contra o povo rohingya em Mianmar — que provocou o êxodo de cerca de 620 mil pessoas para o vizinho Bangladesh em poucas semanas.

“A fraca resposta a crimes contra a Humanidade e de guerra de Mianmar ao Iraque, passando por Sudão do Sul, Síria e Iêmen, ressaltou a falta de liderança em direitos humanos. Os governos estão descaradamente atrasando o relógio em décadas de proteção duramente conquistadas”, afirma o texto.

Em mais de 20 países, a população teve negado seu direito de protestar pacificamente, inclusive por meio de proibições ilegais, ou por uso excessivo da força, perseguição e prisões arbitrárias, como na Venezuela. Além disso, a disposição de líderes para disseminar as chamadas “notícias falsas” e manipular a opinião pública, juntamente com ataques a instituições que atuam como controle do poder, mostram que a liberdade de expressão será uma batalha fundamental para os direitos humanos este ano, reforça a AI. Além de Trump, foram citados o venezuelano Nicolás Maduro, o filipino Rodrigo Duterte, o chinês Xi Jinping, o russo Vladimir Putin e o egípcio Abdel Fattah al-Sisi.

REAÇÃO OBTÉM VITÓRIAS IMPORTANTES

“Em 2018, não podemos dar por certo que seremos livres para nos reunirmos em protesto ou criticarmos nossos governos. Na verdade, falar tornou-se mais perigoso”, alerta Shetty.

Em contrapartida, o relatório detalha vitórias importantes que ativistas ajudaram a garantir como resposta a esse movimento, como o fim da proibição total do aborto no Chile, um passo em direção à igualdade matrimonial em Taiwan e uma vitória histórica contra despejos forçados em Abuja, na Nigéria.

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