BERLIM — Ao menos um policial ficou ferido em confronto neste sábado entre manifestantes neonazistas e grupos antifascistas em Berlim. De acordo com a agência Reuters, cerca de 500 ativistas da extrema-direita foram às ruas celebrar o 31º aniversário da morte de Rudolf Hess, membro do alto escalão da Alemanha nazista, mas foram confrontados por um grupo de igual número que gritavam “fora aos nazistas”.
Muitos dos ativistas da extrema-direita vestiam vermelho e branco e empunhavam a bandeira do Império Alemão, retomada após a ascensão de Adolf Hitler. Um grupo carregava um cartaz que dizia: “Não me arrependo de nada: Nacionais Socialistas de Berlim”.
— Existem relatos de feridos quando algumas pedras e garrafas foram lançadas por manifestantes contrários aos ativistas de extrema-direita — afirmou o porta-voz da polícia de Berlim Thilo Cablitz. — Ao menos um policial ficou ferido. Mas o evento ainda está acontecendo e estamos compilando os números.
Cerca de 2,3 mil policiais foram destacados para prevenir confrontos entre os dois grupos em Berlim e num protesto isolado, que contou com menos de 50 participantes, no subúrbio de Spandau, onde Hess, que chegou a ser vice-führer de Adolf Hitler, foi condenado a cumprir pena de prisão perpétua por crimes de guerra pelo Tribunal de Nuremberg.
Grupos misturados de manifestantes contrários à extrema-direita fizeram protesto não violento, sentando nos cruzamentos para tentar impedir a passagem da marcha neonazista, enquanto outros gritavam palavras de ordem.
Por causa do passado, a Alemanha tem duras leis que proíbem o uso de símbolos do regime nazista, como a suástica. Por décadas, a extrema-direita se manteve restrita a pequenos grupos, mas nos últimos anos o movimento tem crescido, principalmente após a chegada de mais de um milhão de imigrantes a partir de 2015.
O fenômeno ainda é marginal, com pouca representação política, mas está por trás de crimes graves. Em 2011, a polícia descobriu o grupo terrorista National Socialist Underground, responsabilizado pelo assassinato de nove imigrantes e uma policial, além de atentados a bomba e assaltos a bancos.

