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Polícia reprime ‘marcha das panelas vazias’ na Venezuela

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CARACAS— A oposição venezuelana marcha neste sábado até um setor humilde do oeste de Caracas, com panelas vazias que simbolizam a escassez de alimentos e denunciam a fome no país.De acordo com a imprensa local, pelo menos três pessoas já ficaram feridas no protesto que foi reprimido duramente pela polícia. A manifestação é mais uma em meio aos protestos contra o presidente Nicolás Maduro, que já deixaram 63 mortos em dois meses. Um dos feridos teria sido atingido por tiros.

Segundo a liderança opositora, trata-se de uma "nova etapa" nas manifestações, que exigem eleições gerais para antecipar a saída de Maduro, que tem mandato até janeiro de 2019. Os opositores culpam Maduro pela crise econômica no país. A "nova etapa" pretende chegar a setores populares da cidade, como El Valle.

— Inclui a incorporação com força da agenda social e popular, combinando o massivo com o local. Além disso, queremos ter presença em zonas vítimas de repressão selvagem— disse à AFP o deputado Miguel Pizarro.

El Valle viveu uma noite de terror em 20 de abril, quando um panelaço e o bloqueio de ruas derivaram em uma batalha campal entre manifestantes e as forças de segurança, deixando 11 mortos e dezenas de comércios saqueados. Na sexta-feira em La Vega, outro bairro popular do oeste de Caracas, dezenas de pessoas protestaram durante horas, e houve confrontos com policiais e militares que tentaram dispersá-los com bombas de gás lacrimogêneo e petardos.

"Hoje lutamos para que não haja mais nenhum morto por desnutrição e que não falte um prato de comida para ninguém", escreveu no Twitter o deputado José Manuel Olivares.

A Venezuela atravessa uma dura crise econômica desde a queda dos preços do petróleo, em 2014, que se caracteriza por uma escassez aguda de alimentos e remédios e uma inflação que pode chegar a 720% em 2017, segundo o FMI. Cerca de 9,6 milhões de venezuelanos — quase um terço da população — ingerem duas ou menos refeições por dia, e a pobreza aumentou quase nove pontos entre 2015 e 2016, chegando a 81,8% dos lares, segundo a Pesquisa sobre Condições de Vida, realizada por um grupo de universidades.

Apesar do quadro, Maduro assegura que em 2016 a pobreza baixou de 19,7% para 18,3%, e a miséria, de 4,9% a 4,4%. Em meio à crise, o presidente impulsa uma Assembleia Constituinte para reformar a Carta Magna, cujos integrantes serão eleitos em julho e que, assegura, oferecerá soluções econômicas e trará "a paz".

A oposição rejeita a proposta e não participará na eleição por considerá-la "fraudulenta", visto que, afirma, beneficiará o chavismo para eleger mais membros com menos votos.

"A fraude constituinte madurista é igual a mais fome, mais escassez e mais crise", apontou o líder opositor Henrique Capriles neste sábado no Twitter.

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