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Polícia prende ao menos 14 pessoas em operação contra referendo da Catalunha

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BARCELONA — A Guarda Civil espanhola começou nesta quarta-feira uma operação contra a realização do referendo de independência da Catalunha , vetado pela Justiça. Os agentes fizeram buscas e apreensões em diversos edifícios oficiais da Generalitat, o governo regional catalão, por ordem de um juiz. Segundo fontes policiais, foram feitas 22 buscas e 14 pessoas já foram detidas, entre elas o principal colaborador do vice-presidente da Catalunha. A Generalitat e Madri vivem um momento de plena tensão, após a Catalunha afirmar que vai realizar a consulta popular, considerada ilegítima pelo governo central.

Entre os detidos, há altos funcionários da Generalitat. Um dos principais presos é Josep Maria Jové, secretário-geral de Economia e Fazenda e braço direito do vice-presidente da Catalunha, o independentista Oriol Junqueras. Após as detenções, o presidente do governo da Catalunha, o independentista Carles Puigdemont, denunciou que o Estado espanhol impôs um estado de exceção na região. Centenas de pessoas protestaram diante da sede do ministério da Economia catalão para criticar as ações da polícia espanhola. Os manifestantes gritavam "Não passarão" e "Nós votaremos", disseram testemunhas.

— O Estado suspendeu de fato a autonomia da Catalunha e impôs de fato um estado de exceção — afirmou Puigdemont em um discurso na sede do Executivo catalão, antes de insistir que em 1º de outubro os catalães votarão no referendo de autodeterminação para defender a democracia frente a um regime repressivo e intimidatório.

A Justiça espanhola havia advertido várias autoridades catalãs que não deveriam organizar o referendo, pois ficariam expostas às consequências judiciais. A informação foi divulgada no momento em que a polícia realizava operações de busca em vários prédios do governo regional, como parte das investigações para impedir a celebração do referendo previsto para 1 de outubro. Os esforços da polícia para impedir a votação sobre uma eventual separação da Espanha se intensificaram nos últimos dias, à medida que a região rica do Nordeste espanhol não dá sinais de que voltará atrás na decisão.

— A Guarda Civil entrou nos escritórios do governo da Catalunha — anunciou um porta-voz da Generalitat, o governo regional catalão, que citou a presença de agentes nos edifícios dos departamentos de Economia, Relações Exteriores e da Presidência.

As operações policiais se intensificaram desde o fim de semana, com a apreensão de grande quantidade de material eleitoral, como cartazes ou peças de propaganda.

— O governo defende os direitos de todos os espanhóis e está cumprindo com sua obrigação. O Estado de Direito funciona — afirmou o primeiro-ministro do país, o conservador Mariano Rajoy, ao ser questionado sobre as operações no Congresso em Madri.

A Guarda Civil apreendeu na terça-feira à noite mais de 45 mil notificações para convocar os membros das zonas eleitorais para o referendo, que o governo catalão está determinado a organizar, apesar da proibição do Tribunal Constitucional.

"O número de certificados de notificação apreendidos poderia representar 80% das comunicações necessárias para cobrir as mesas eleitorais", afirmou a polícia em um comunicado, que citou operações em vários prédios da empresa de correios Unipost para buscar os documentos.

No domingo, a Guarda Civil confiscou 1,3 milhão de panfletos, folhetos e cartazes para o referendo na região de Barcelona. Os separatistas são maioria no Parlamento catalão desde 2015, mas, segundo as pesquisas, a sociedade catalã está muito dividida ante a independência da região de 7,5 milhões de habitantes. Nas eleições regionais de 2015, os independentistas receberam 47,6% dos votos e os defensores da continuidade na Espanha 51,28%. Mas 70% dos catalães são favoráveis a decidir a questão em um referendo legal, segundo as pesquisas.

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