A Scotland Yard disse que não pediu o adiamento da publicação do relatório da funcionária pública Sue Gray ou a eliminação de detalhes que não estavam sob investigação policial. Mas, na prática, o pedido significa que o relatório quase certamente não conterá informações sobre as acusações mais sérias sobre as festas. A equipe de Gray estava estudando se enviava uma versão editada do relatório ao governo ou esperava que a polícia concluísse sua investigação para, em seguida, enviar o documento completo. Mas, na noite desta sexta-feira, decidiram enviar apenas a versão editada, disseram fontes do governo ao jornal britânico The Guardian, acrescentando que ele deve ser publicado em breve.
Muitos deputados do governista Partido Conservador aguardavam ansiosos a divulgação do relatório sobre as festas na sede do governo e residência oficial do premiê entre 2020 e 2021, para decidir se tentariam ou não afastar Johnson do poder. Mas se os detalhes mais incriminadores forem omitidos, isso pode reduzir a atual campanha contra o premiê. Johnson tinha prometido divulgar o texto sem qualquer tipo de edição assim que recebesse o documento, além de comparecer ao Parlamento para responder a perguntas sobre a investigação.
Os líderes da oposição atacaram a perspectiva de um atraso na divulgação do relatório ou sua alteração, argumentando que isso equivaleria a um acobertamento. "O relatório de Sue Gray deve ser publicado na íntegra, incluindo todas as fotos, mensagens de texto e outras evidências", disse em um comunicado Alistair Carmichael, em nome dos liberal-democratas. "Qualquer indício de manipulação acertada entre a comissária da polícia e o governo é profundamente prejudicial."
O líder do principal partido de oposição, o Trabalhista, Keir Starmer, disse em um comunicado: "O governo está paralisado por causa do comportamento do primeiro-ministro em Downing Street e das tentativas de seu gabinete para salvar sua pele". "O relatório de Gray deve ser publicado na íntegra o mais rápido possível e a polícia deve prosseguir com sua investigação", acrescentou. "Mas o Reino Unido enfrenta enormes desafios à medida que emergimos da pandemia e é ofensivo que o único foco do governo seja limpar a sujeira dele mesmo."
O anúncio colocou o papel da polícia em questão. Depois de rejeitar por semanas a investigar as infromações sobre as festas, a comissária da Polícia Metropolitana, Cressida Dick, anunciou inesperadamente na terça-feira que a força havia decidido abrir uma investigação, no momento em que o relatório de Gray estava quase concluído. Isso desencadeou confusão sobre o momento e o conteúdo do relatório, que Johnson havia prometido publicar na íntegra logo após sua apresentação.
Na terça-feira, 25, Downing Street afirmou que algumas partes do relatório que entraram em áreas sob investigação policial seriam removidas, potencialmente atrasando sua publicação. Mas a mídia britânica então informou que a polícia não achava que o documento prejudicaria seu trabalho, provocando especulações de que ainda seria publicado esta semana.
Então, na quinta-feira, 27, Downing Street informou que as negociações estavam em andamento entre a equipe de Gray e a polícia sobre o que poderia ser incluído no relatório sem prejudicar as investigações policiais. Os críticos acusaram a polícia pela demora em abrir uma investigação.
"Indiscutivelmente, tudo isso teria sido evitado se a polícia tivesse feito a coisa sensata e começado a investigar em dezembro, quando as alegações surgiram", escreveu no Twitter o advogado Adam Wagner, especialista nas regras do coronavírus. "Agora estamos no limbo da responsabilidade pública e há uma dinâmica confusa entre o relatório interno da Gray e a investigação policial." (COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS)



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