MANILA - A polícia das Filipinas divulgou neste sábado imagens de câmeras de vigilância que mostram o criminoso que ateou fogo no cassino do Resort World Manila na quinta-feira, deixando 36 mortos e cerca de 70 ficaram feridos. O Estado Islâmico (EI) reivindicou a autoria do ataque, mas a polícia informou que o incidente se tratava de um episódio fracassado de assalto.
As autoridades filipinas afirmaram que ainda não conseguiram identificar o autor do ataque e insistiram em negar que o criminoso pertencia ao grupo EI. O ataque de sexta-feira aconteceu ao mesmo tempo em que prosseguem os confrontos no sul do país entre o exército e combatentes leais ao EI, na cidade de maioria muçulmana de Marawi.
O homem encapuzado, descrito pelas autoridades como um ladrão que sofria de distúrbios psicológicos, entrou no hotel-cassino, perto do Aeroporto Internacional Ninoy Aquino e de uma base da Força Aérea — o que reforçou ainda mais os temores de que se tratasse de um atentado — e abriu fogo com um fuzil, antes de provocar um incêndio ao espalhar gasolina em uma mesa de apostas e atear fogo. Policiais, bombeiros e dez integrantes da Swat se dirigiram rapidamente para o local.
O autor do ataque cometeu suicídio pouco depois em um quarto do hotel, em um ato de imolação com fogo. O corpo carbonizado foi encontrado cinco horas mais tarde, de acordo com a polícia.
A maioria dos pacientes atendidos nos dois hospitais da região sofreu com os efeitos da inalação de fumaça e com pequenas fraturas — houve muita correria e várias pessoas pularam do segundo andar para escapar no meio do pânico.
Em um comunicado divulgado nas redes sociais, a Amaq, agência de propaganda do EI, afirmou neste sábado que "combatentes do Estado Islâmico executaram o ataque em Manila". Mas o porta-voz da presidência filipina, Ernesto Abella, rejeitou a alegação:
— Podem reivindicar o ataque, mas no momento as provas não confirmam isto — declarou Abella.
O chefe da Polícia de Manila, Oscar Albayalde, afirmou à AFP que não conhece a identidade do criminoso. Albayalde aumentou ainda mais a confusão ao afirmar que a polícia mantém sob custódia o "taxista" que levou o homem até o hotel-cassino.
Na sexta-feira, a polícia apresentou várias versões contraditórias sobre o ataque. O comandante da Polícia Nacional, Ronald Dela Rosa, declarou que o caso era provavelmente de roubo e que as forças de segurança mataram o homem. Mas poucas horas depois afirmou que o criminoso "se queimou em um quarto do hotel".
Também disse que o homem não atirou contra ninguém, mas o complexo Resorts World informou que um segurança foi ferido por uma bala. Albayalde indicou na sexta-feira que o homem "falava inglês, era alto e branco, portanto, provavelmente um estrangeiro".
De acordo com os analistas, o EI tentaria estabelecer uma "província" em Mindanao, como parte de sua meta de instaurar um "califado" no sudeste asiático, assim como fez na Síria e no Iraque.

