Pfizer denuncia casos de vacina falsa contra Covid aplicadas no México e Polônia

Por Folha de São Paulo / Portal do Holanda

21/04/2021 12h05 — em Mundo

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A empresa farmacêutica norte-americana Pfizer denunciou nesta quarta-feira (21) casos de doses fraudulentas de sua vacina contra Covid-19, produzida em parceria com a empresa alemã BioNTech, sendo aplicadas no México e na Polônia.

O caso foi identificado após 80 pessoas receberem a vacina falsa por um valor de U$ 1.000 a dose (cerca de R$ 5.570) em uma clínica no México. Até o momento, as pessoas não pareceram desenvolver efeitos colaterais após a "vacinação", mas elas seguem em monitoramento.

Os frascos foram apreendidos pelas autoridades e aguardam testes pela própria farmacêutica para determinar seu conteúdo.

Já na Polônia, a suspeita é de que o conteúdo dos frascos tenha sido trocado por um medicamento anti-rugas.

As doses apreendidas no México estavam em caixas de isopores térmicos como as de uso doméstico, e além da alteração do conteúdo, os rótulos dos frascos tinham informações falsas, como data de validade diferente da original e número de lote falsificado.

As autoridades polonesas apreenderam os frascos na casa de um homem antes que as doses falsas fossem aplicadas.

Em nota, a Pfizer Global afirmou que identificou os casos de falsificação e que "os pacientes nunca devem procurar a compra de vacinas online, uma vez que nenhuma vacina verdadeira está disponível e apenas centros médicos e profissionais da saúde competentes estão autorizados a aplicar as vacinas".

"Estamos cientes que com esse tipo de ambiente -alimentada pela facilidade e conveniência do comércio virtual e pela anonimidade da internet- haverá um aumento de fraudes, desvios e outras atividades ilícitas ligadas às vacinas para Covid-19 e possíveis tratamentos contra a doença."

Ainda, disse que a Pfizer possui "décadas de experiência em proteção contra malfeitos e desvio de produtos para poder antecipar e prevenir potenciais ameaças à produção global da Pfizer/BioNTech das vacinas contra Covid". "Nosso largo time de profissionais, incluindo ex-funcionários das forças policiais e cientistas forenses são especialistas em monitorar as tendências [de golpes] e têm meios de identificar possíveis ameaças para a cadeia legítima de produção global, e continuarão a atuar com as autoridades, governos e profissionais da saúde para combater a venda ilegal de vacinas."

Doses falsificadas de vacinas contra a Covid são investigadas em todo o mundo não só da Pfizer, mas também de outras produtoras como Oxford, Moderna e Janssen (Johnson & Johnson). As suspeitas crescem de acordo com o aumento do interesse da população em se vacinar ao mesmo tempo que o mundo enfrenta uma escassez global de vacinas devido à alta demanda.

De acordo com as principais autoridades investigativas, os chamados golpes de vacina começaram a surgir em sites na internet já em dezembro de 2020. A Interpol e o Departamento de Segurança Nacional dos Estados Unidos juntaram esforços para o combate à venda ilegal de doses de imunizantes e de outros tratamentos contra Covid-19 online.

Segundo eles, os riscos para os possíveis compradores, além de ser uma atividade ilegal, são de tomar um medicamento ou vacina sem o controle e aprovação das agências regulatórias, o que pode trazer riscos à saúde.

As autoridades reforçam que as vacinas contra Covid-19 não estão atualmente à venda para usuário e são apenas distribuídas aos governos e, portanto, qualquer pessoa que fizer uma compra também corre o risco de financiar organizações criminosas em todo o mundo.

A Interpol desmontou no início de março um esquema para venda de vacinas falsas contra Covid na África do Sul. Além das cerca de 400 ampolas com o falso medicamento, as autoridades apreenderam também uma grande quantidade de máscaras do tipo PFF2 da marca 3M e prenderam quatro suspeitos, três chineses e um zimbabuano.

No Brasil, após denúncia de empresários recebendo a vacina da Pfizer ilegalmente em um estacionamento da empresa Saritur, em Belo Horizonte, a Polícia Federal confirmou que o conteúdo dos frascos era soro fisiológico.

A análise foi feita após mandados de busca e apreensão na casa da falsa enfermeira responsável por aplicar as doses.

A falsa vacinação em empresários e familiares ocorreu no dia 24 de março, conforme revelou a revista piauí. Cada pessoa que recebeu o suposto imunizante teria pago R$600 pelas duas doses.

A mulher teve seu mandado de prisão emitido pela PF e foi presa por alguns dias, mas foi solta no último dia 9 de abril após a justiça acatar o pedido de habeas corpus.

Ela trabalhava como cuidadora de idosos e não tinha licença para aplicar a vacina. Além dela, o seu filho, que também trabalha como cuidador, é também alvo de investigação.


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