Pesquisa indica rejeição de suíços a plano de limitar empregos a cidadãos da UE

Por Estadão Conteúdo / Portal do Holanda

27/09/2020 11h03 — em Mundo

Os eleitores na Suíça rejeitaram veementemente neste domingo uma proposta do partido nacionalista local de limitar o número de cidadãos da União Europeia autorizados a viver e trabalhar no país.

A emissora pública suíça SRF informou, com base em uma contagem parcial, que a medida foi rejeitada por 61,3% dos eleitores, com 38,7% a favor. A grande maioria dos 26 cantões do país também rejeitou o plano proposto pelo Partido do Povo Suíço de dar acesso preferencial a empregos, proteção social e benefícios aos suíços em relação aos cidadãos do bloco de 27 nações que o circunda.

O governo havia alertado que, se aprovada, a medida poderia prejudicar os lucrativos laços do país alpino com a UE. Também levaria a desvantagens recíprocas para milhões de cidadãos suíços se eles quisessem viver ou trabalhar em algum país do bloco. Aproximadamente 1,4 milhão de cidadãos da UE vivem na Suíça, de cerca de 8,6 milhões de habitantes, enquanto cerca de 500 mil suíços vivem em países da UE.

Em um plebiscito semelhante realizado em 2014, os suíços votaram a favor da limitação do acesso dos cidadãos da UE para viver e trabalhar na Suíça. Os legisladores, no entanto, recusaram-se a implementar totalmente a proposta, temendo um forte impacto na sociedade e nas empresas suíças, o que levou o Partido do Povo a colocar o assunto novamente em votação este ano.

Desde a última votação, a Suíça testemunhou a turbulência que o plebiscito da Grã-Bretanha para deixar a União Europeia causou, especialmente para os cidadãos da UE no Reino Unido e de britânicos que vivem no continente. A Grã-Bretanha deixou a UE em janeiro, mas está em um período de transição até o fim do ano, com perspectivas ainda incertas de um acordo sobre as relações futuras entre Londres e Bruxelas.

A medida sobre liberdade de movimento estava sendo considerada juntamente com votações nacionais de várias outras questões. A SRF informou que a maioria dos eleitores apoiou um plano de licença paternidade remunerada, ao mesmo tempo em que rejeitou uma medida que aumentaria a redução de impostos para o cuidado dos filhos.

Fonte: Associated Press