Por Marco Aquino e Lucinda Elliott
LIMA, 9 Abr (Reuters) - Os peruanos vão às urnas em 12 de abril, na esperança de romper um ciclo de turbulência política que impediu qualquer presidente de concluir um mandato completo na última década, em meio a escândalos de corrupção, aumento da criminalidade e frustração dos eleitores.
Cerca de 27 milhões de peruanos estão aptos a votar em um novo presidente e nos integrantes de um congresso bicameral recentemente restabelecido. As seções eleitorais abrem às 7h (horário local, 9h em Brasília), no domingo, e fecham às 17h, quando as cédulas de papel medindo quase meio metro (44 centímetros) - as mais longas da história do país - serão contadas.
Em um subúrbio movimentado de Lima, cartazes de campanha de dezenas de candidatos à Presidência lotam rotatórias e postes de luz, enquanto um recorde de 35 candidatos disputam a atenção.
"Eu vi a cédula e, sinceramente, me deu dor de cabeça", disse a lojista Marlene Jimenez. "Não sei em quem votar."
As pesquisas de opinião sugerem que a candidata de direita Keiko Fujimori tem uma pequena vantagem antes da votação de domingo. Ela é seguida de perto por pelo menos três concorrentes - incluindo dois ex-prefeitos de Lima, o ultraconservador Rafael López Aliaga e o empresário de mídia Ricardo Belmont, e o outsider político Carlos Alvarez, um ex-comediante.
Nenhum dos candidatos tem mais de 15% nas pesquisas de intenção de voto, o que torna quase certo um segundo turno em 7 de junho, segundo analistas. Os três candidatos que estão atrás de Fujimori, filha do falecido ex-presidente Alberto Fujimori, também estão em empate técnico, disse Urpi Torrado, da empresa de pesquisas Datum Internacional.
"Faltam quatro dias (até domingo), e a história pode mudar", disse Torrado.
O alto número de eleitores indecisos significa que os candidatos que aparecem em um segundo pelotão nas pesquisas "não podem ser ignorados", disse Nicolas Watson, da consultoria Teneo, mesmo que eles tenham apenas entre 4,5% a 6% de apoio.
As pesquisas sugerem que cerca de 13% dos eleitores permanecem indecisos.
Para muitos peruanos, a disputa fragmentada reflete um declínio institucional mais profundo. O país passou por oito presidentes desde 2018, pois os líderes sofreram impeachment, foram presos ou forçados a deixar o cargo.
Essas eleições podem marcar uma ruptura com esse ciclo de instabilidade ou "nos manter presos a ele", disse o analista político Fernando Tuesta.
A luta contra a corrupção é um tema de destaque na campanha. Quatro ex-presidentes estão atualmente na prisão, a maioria ligada a casos de suborno que envolveram a empresa de construção brasileira Odebrecht. Alberto Fujimori cumpriu 16 anos de prisão por abusos de direitos humanos e morreu em 2024 após ser libertado por razões humanitárias.
O crime, entretanto, agora rivaliza - e em muitos casos supera - a corrupção como a principal preocupação dos eleitores.
O Peru não era tradicionalmente associado ao crime organizado, mas os homicídios e a extorsão aumentaram, atingindo principalmente os trabalhadores do setor de transportes e as pequenas empresas, disse a professora Paula Muñoz, da Universidad del Pacífico, em Lima.
Dados oficiais mostram que os casos de extorsão aumentaram quase 20% no ano passado, e as taxas de homicídio atingiram novos recordes.
O aumento alimentou o apoio a respostas mais duras e populistas da direita, disse Muñoz, refletindo uma tendência latino-americana mais ampla, na qual o crime é cada vez mais visto como uma questão que deve ser tratada por líderes da linha-dura, como o presidente de El Salvador, Nayib Bukele.
As propostas de alguns candidatos incluem o envio de tropas, o restabelecimento da pena de morte, a retirada dos tribunais internacionais de direitos humanos e a permissão para que os magistrados que lidam com casos criminais permaneçam anônimos, o que restabeleceria os chamados "juízes sem rosto" do país, que o Peru não tem desde 1997.
(Reportagem de Marco Aquino, Lucinda Elliott e da Reuters TV)



