Por Marta Nogueira
RIO DE JANEIRO, 22 Set (Reuters) - A Perenco planeja investir US$110 milhões para conectar suas plataformas de petróleo na Bacia de Campos ao sistema elétrico nacional por meio do Porto do Açu, no norte fluminense, em um projeto que deverá entrar em operação em 2028, reduzindo custos e eliminando a dependência de compra de gás da Petrobras, disseram executivos à Reuters.
O projeto, o primeiro de eletrificação de plataformas na Bacia de Campos, prevê a instalação de um cabo de cerca de 80 quilômetros conectando os polos de Pargo e Cherne, em águas rasas, a uma subestação terrestre no Porto do Açu. Isso permitirá que os ativos passem a receber energia do Sistema Interligado Nacional (SIN), disse o diretor-geral da Perenco Brasil, Damien Szyszka, à Reuters.
A companhia franco-britânica gera energia nas próprias plataformas do Brasil utilizando o gás produzido nos campos e volumes adicionais adquiridos da Petrobras. Atualmente, a empresa compra até cerca de 2,5 milhões de pés cúbicos de gás por dia para geração elétrica.
Com a eletrificação, a companhia planeja substituir pela energia da rede a parcela da geração que depende da compra de gás, enquanto continuará utilizando a produção própria do combustível nos geradores das plataformas, explicou o executivo.
"Isso vai mudar completamente a visão que temos hoje para o futuro dos nossos ativos, porque com isso vamos tirar esse gargalo de capacidade de geração elétrica. Vai melhorar também o custo de operações", disse Szyszka.
A infraestrutura para a eletrificação das unidades terá inicialmente capacidade de 35 megawatts, com possibilidade de expansão para 60 MW em quatro anos, à medida que crescer a demanda de energia das operações. A expectativa da Perenco é que o sistema entre em funcionamento até o primeiro trimestre de 2028, com início das obras previsto para o segundo trimestre de 2027.
A Perenco já recebeu o parecer de acesso do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), disse Szyszka, e deverá assinar uma carta de intenções sobre o tema com o Porto do Açu nesta terça-feira. O contrato definitivo deverá ser fechado posteriormente.
O Porto do Açu já possui infraestrutura conectada ao sistema elétrico nacional, incluindo instalações associadas às termelétricas instaladas no complexo, o que facilitou a obtenção do parecer de acesso necessário para o projeto.
"O porto está se mostrando como uma plataforma bastante interessante e viável para prover soluções (de descarbonização) e este é um caso emblemático", disse o presidente do Porto do Açu, Eugenio Figueiredo.
PRODUÇÃO
Pargo e Cherne foram comprados pela Perenco da Petrobras em anos passados. Atualmente, apenas Pargo está em operação com 20 mil barris de óleo equivalente por dia (boed), contra 3 mil boed quando a Perenco assumiu a operação, em 2019.
Agora, a companhia se prepara para a retomada da produção de Cherne, prevista para até o início de 2028, com capacidade para 15 mil boe/d.
Em Pargo, a companhia elevou o volume de produção principalmente com intervenções e reentradas em poços existentes, sem novas perfurações, segundo os executivos. No longo prazo, a expectativa é manter os níveis de produção, mas isso exigirá maior disponibilidade de energia conforme os campos amadurecem.
A companhia trabalha atualmente com um horizonte de operação até 2040 e avalia a possibilidade de estendê-lo até 2052.
(Reportagem de Marta Nogueira; edição de Roberto Samora)
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