Início Mundo Partidos holandeses iniciam negociações para formar governo de coalizão
Mundo

Partidos holandeses iniciam negociações para formar governo de coalizão

Envie
Envie

AMSTERDÃ — Após derrotar a extrema-direita, os partidos políticos holandeses se preparavam nesta quinta-feira para iniciar o que é esperado para ser longas negociações para formar um governo de coalizão. O partido de direita VVD, do primeiro-ministro Mark Rutte, obteve uma vitória eleitoral confortável na quarta-feira, desafiando as pesquisas que sugeriam uma batalha acirrada com o populista Geert Wilders.

Os holandeses votaram para a definição de um novo Parlamento, em eleições que mediram a ascensão do populismo na Europa após um fim de campanha agitado pela crise diplomática com a Turquia.

Na madrugada de quinta-feira, com a maioria dos votos computados, o VVD de Rutte ocuparia 33 dos 150 assentos no Parlamento — oito a menos que em 2012. A legenda de Wilders, o ultradireitista Partido da Liberdade, ficou em segundo com 20 parlamentares, um resultado decepcionante embora sejam cinco a mais do que nas últimas eleições.

O Partido Democrata Cristão e o centrista D66 — potenciais parceiros de coalizão para Rutte — alcançariam 19 representantes cada.

Os candidatos devem se reunir no início da tarde para decidir os primeiros passos no processo de formação da coalizão.

Rutte comemorou a vitória estimando que “após o Brexit e as eleições nos Estados Unidos, a Holanda disse não ao populismo”. Já Wilders, que considerou o resultado do PVV um “sucesso”, disse que gostaria de participar de uma coalizão, mas reconheceu as dificuldades: “gostaria mas isto não funciona, então apoiaremos o governo em tudo o que for necessário em temas importantes para nós”.

A votação teve o alto índice de participação de 81% entre os 12,9 milhões de eleitores holandeses, segundo o instituto Ipsos. O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, falou com Rutte na noite de quarta e o cumprimentou pela “clara vitória”, segundo sua porta-voz Margaritis Schinas.

“Foi uma votação pela Europa, uma votação contra os extremistas”, destacou Schinas no Twitter.

A chanceler alemã, Angela Merkel, declarou que está “alegre de prosseguir com uma boa colaboração com os amigos, vizinhos e europeus” ao comentar a vitória de Rutte no Twitter.

O ministro francês das Relações Exteriores, Jean-Marc Ayrault, cumprimentou os “holandeses por terem freado a ascensão da extrema direita” e manifestou a vontade de Paris de “trabalhar por uma Europa mais forte”.

Depois do Brexit no Reino Unido e da eleição de Donald Trump nos Estados Unidos, as eleições holandesas eram consideradas um indício do que pode acontecer nas presidenciais da França, em abril e maio, e nas legislativas da Alemanha, no fim do ano.

A campanha esteve dominada pelo confronto entre Mark Rutte e Geert Wilders.

Rutte segue para um terceiro mandato como primeiro-ministro da Holanda, uma das maiores economias da Eurozona e membro fundador da União Europeia, onde vivem 17 milhões de pessoas.

Durante a campanha, Wilders prometeu fechar as fronteiras aos imigrantes muçulmanos, proibir a venta do Corão e acabar com as mesquitas.

Rutte se concentrou em destacar as conquistas econômicas e a estabilidade do país em seus seis anos como primeiro-ministro. Sua posição durante a crise diplomática com a Turquia parece ter fortalecido sua imagem.

Rutte permaneceu firme diante das ameaças do presidente turco Recep Tayyip Erdogan, depois que o governo proibiu que dois ministros da Turquia fizessem campanha em Roterdã entre a comunidade turca a favor do referendo de abril que reforça os poderes presidenciais.

Mesmo se vencesse, Wilders teria poucas possibilidades de entrar no governo porque a maioria dos partidos descartou uma negociação com ele.

Apesar da postura radical de Wilders ter recebido apoio após a crise dos refugiados, para muitos holandeses suas ideias contrárias à imigração continuam sendo difíceis de aceitar.

Mas com a segunda posição obtida nesta quarta-feira, Wilders conseguiu incluir seu partido como um dos principais no cenário político.

Os holandeses têm orgulho do consenso político e em geral os partidos levam três meses para estabelecer a coalizão de governo, em um cenário político fragmentado.

Desta vez, analistas acreditam que serão necessários quatro ou até cinco partidos para alcançar a maioria de 75 cadeiras no Parlamento.

Siga-nos no

Google News
Quer receber todo final de noite um resumo das notícias do dia?