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Participação de vira-latas chama atenção nas manifestações do Chile

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©afp.com / Martin Bernetti - Cachorro participa de manifestação contra o governo do presidente chileno Sebastián Piñeira em Santiago nesta quinta-feira (11).

SANTIAGO (AFP) - Eles não temem o gás lacrimogêneo e nem os canhões d'água usados pela polícia, com os quais até gostam de brincar. São os cachorros vira-latas da capital chilena que se juntam incondicionalmente aos manifestantes a cada novo protesto.

Dezenas de cães marcharam nesta quinta-feira ao lado dos trabalhadores e estudantes convocados pela Central Única de Trabalhadores (CUT), o maior sindicato do país, apoiando seus gritos com latidos e recebendo o carinho de muitos dos manifestantes.

Ao final do protesto, quando alguns começaram a jogar pedras na polícia, os cães começaram a abanar o rabo de felicidade: correndo atrás das pedras, pegando com a boca e devolvendo aos mais exaltados para que voltassem a atacar.

Os cães manifestantes já haviam protagonizado, de forma inesperada, os protestos estudantis de 2011 para exigir mudanças no modelo educacional herdado da ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990).

Sua presença constante nas fotografias dos confrontos entre a polícia e manifestantes chamou a atenção de todos.

O mais famoso deles, um vira-lata preto com um lenço no pescoço, foi batizado de "El Negro". O animal ainda tem uma página no Facebook, com mais de 6.000 amigos, e uma no Twitter, com cerca de 2.000 seguidores.


©afp.com / Martin Bernetti  - Cachorro participa de manifestação contra o governo do presidente chileno Sebastián Piñeira em Santiago nesta quinta-feira (11).

"Revolucionário, pai chileno de 32 filhos (reconhecidos) e marido de seis senhoras, amigo do povo e o pior pesadelo da polícia", diz sua apresentação nas redes sociais.

A maioria deles anda suja, cheia de feridas e não tem raça definida. Correm pelas ruas, dormindo pelos cantos, e se reúnem em bandos para se alimentar e perseguir carros e bicicletas.

Fazem parte do cartão-postal do centro de Santiago.

Cerca de 500 mil cães vivem nas ruas da capital, e a maioria (398.611) tem ou já teve proprietários, de acordo com um registro oficial elaborado pela Administração de Santiago, como parte de um plano estadual para controlar a superpopulação canina.

Especialistas dizem que sua proliferação se deve à falta de abrigos municipais, somada a uma política de não-extermínio de cães e a uma incipiente campanha de esterilização.

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