Início Mundo Parlamento da Nicarágua abre caminho para ditador Daniel Ortega tirar país da OEA
Mundo

Parlamento da Nicarágua abre caminho para ditador Daniel Ortega tirar país da OEA

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Ligado à ditadura de Daniel Ortega, o Legislativo da Nicarágua aprovou um projeto nesta terça-feira (16) que, na prática, pode levar à saída do país da OEA (Organização dos Estados Americanos). Na última sexta (12), o grupo formado por 34 Estados emitiu uma resolução que condena a eleição presidencial de fachada realizada no início do mês no país.

Entre outros pontos, o texto, que teve o apoio de 25 membros (incluindo Brasil, Argentina e EUA), afirma que as instituições democráticas da Nicarágua foram gravemente prejudicadas pelo regime de Ortega, no poder de maneira ininterrupta desde 2007. A libertação de candidatos de oposição presos e o fim da perseguição a veículos de comunicação independentes são alguns dos apelos feitos no documento.

Os congressistas nicaraguenses, por sua vez, acusam a OEA de intromissão "nos assuntos internos" do país e pedem ao "presidente da República, em sua condição de chefe de Estado, [...] que denuncie a Carta da Organização dos Estados Americanos", conforme anunciou o chefe do Legislativo, Gustavo Porras.

O Parlamento é controlado pelo partido governista, a Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN), e a resolução foi aprovada por 83 dos 87 deputados. "A OEA não está promovendo a paz, a cooperação. Muito pelo contrário, está intervindo em assuntos de jurisdição interna", assinalou o deputado governista Carlos López, durante o debate.

Na prática, caso Ortega decida seguir os passos solicitados pelos congressistas, a Nicarágua iniciará o processo para se retirar da OEA, o que pode levar cerca de dois anos.

O prazo é estabelecido de acordo com o que diz o artigo 143 da Carta da OEA, que afirma que um Estado-membro pode renunciar mediante uma notificação à secretaria-geral da entidade.

Independentemente disso, a primeira-dama e vice de Ortega, Rosario Murillo, que tem sido cada vez mais a cara do regime, comemorou a decisão do Legislativo local. "O pedido do Congresso ratifica a nossa exigência de respeito às decisões soberanas e dignas do nosso povo e o princípio de não interferência em nossos assuntos próprios", disse.

Em outra frente de contestações das recentes eleições -que não contaram com observadores de países e associações independentes- o presidente dos EUA, Joe Biden, divulgou nesta terça novas sanções contra Ortega e membros do regime nicaraguense.

Segundo o democrata, o ditador e sua mulher estão proibidos de entrar em território americano, como resposta ao avanço autoritário no país. "A repressão e os abusos de Ortega e de quem o apoia exige que os EUA atuem'', disse Biden.

O veto inclui ainda legisladores, prefeitos e membros do gabinete de Ortega, que os americanos acusam de ter "violado os direitos humanos para punir manifestantes pacíficos". Receberam sanções também altos funcionários da polícia, de agências governamentais e do Judiciário.

Em 2018, manifestantes tomaram as ruas do país, depois que o ditador tentou aprovar uma polêmica reforma previdenciária. Os atos, reprimidos duramente pelo regime, deixaram mais de 300 mortos e centenas de feridos.

Ainda nesta terça, Brian Nichols, secretário-adjunto de Estado para Assuntos do Hemisfério Ocidental nos EUA, disse a um subcomitê da Câmara que o governo tentará impedir a Nicarágua de obter fundos de instituições financeiras internacionais nas quais Washington tem direito a voto.

Na segunda (15), o Tesouro americano já havia anunciado sanções contra o Ministério Público nicaraguense e nove importantes aliados de Ortega, incluindo o ministro de Minas e Energia, Salvador Mansell Castrillo, e vários prefeitos, que são acusados de estarem envolvidos na repressão às manifestações de 2018.

Antes disso, Biden já havia ordenado sanções financeiras contra funcionários e proibido a entrada no país de mais de uma centena de legisladores, promotores e juízes nicaraguenses e de suas famílias. Os anúncios seguem a linha já adotada pelo ex-presidente americano Donald Trump, que também havia adotado medidas punitivas contra a ditadura nicaraguense.

Além dos EUA, Canadá e Reino Unidos anunciaram sanções contra o governo de Ortega. Os britânicos se voltaram contra oito aliados da ditadura, incluindo Rosario Murillo, o procurador-geral do país e os presidentes da Suprema Corte e do Parlamento.

As sanções britânicas passam pelo congelamento de ativos dessas pessoas no Reino Unido e pela proibição de viagens ao país. Já os canadenses proíbem seus cidadãos de fazer negócios com 11 pessoas ligadas a Ortega.

Siga-nos no

Google News

Comentários (0)

Deixe seu comentário

Resolva a operação matemática acima
Seja o primeiro a comentar!
Quer receber todo final de noite um resumo das notícias do dia?