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Para duas diásporas de Toronto, confronto entre Portugal e Croácia é mais do que apenas um jogo

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Para duas diásporas de Toronto, confronto entre Portugal e Croácia é mais do que apenas um jogo
Para duas diásporas de Toronto, confronto entre Portugal e Croácia é mais do que apenas um jogo

Por Divya Rajagopal e Nicole Fernandes

TORONTO, 30 de junho (Reuters) - A Copa do Mundo já proporcionou muitos momentos mágicos até agora, mas talvez nenhum mais poético do que o encontro entre Portugal e Croácia pelos 16 avos de final nesta quinta-feira, em Toronto, onde enormes comunidades portuguesa e croata receberão uma oportunidade única.

O português Cristiano Ronaldo, de 41 anos, vem à cidade pela primeira vez desde 2009. O croata Luka Modric, de 40 anos, está de volta após ter disputado sua 200ª partida pela seleção em Toronto na semana passada. Os dois jogadores já ganharam a Bola de Ouro — Ronaldo, cinco vezes.

Mas, para um desses grandes nomes do futebol, esta quinta-feira pode ser a última vez que estará em campo na Copa do Mundo.

É um momento que duas grandes comunidades da diáspora em Toronto só poderiam ter sonhado em vivenciar.

Ontário abriga quase 100 mil pessoas de ascendência croata, segundo o governo da província, e mais de 300 mil pessoas de ascendência portuguesa.

Muitas delas residem na Região Metropolitana de Toronto, criando um cenário perfeito para o jogo.

Carina Paradela, diretora de operações do Primeiro Centro Cultural Luso-Canadense de Toronto, disse que a partida de Portugal na cidade é muito especial para a comunidade.

“Mas, obviamente, todo mundo está supernervoso porque queremos que eles vençam!”, disse Paradela. “Já que estão todos aqui perto da gente, queremos comemorar!”

O vibrante enclave de Little Portugal, no centro de Toronto, estará em clima de festa de qualquer maneira. Bares e restaurantes se preparam para receber uma grande onda de torcedores. Haverá eventos lotados para assistir ao jogo e uma enxurrada de camisas vermelhas, muitas com “Ronaldo 7” nas costas.

O futebol é uma parte fundamental da cultura portuguesa, ajudando as famílias a se unirem e os membros da diáspora a se sentirem um pouco mais perto de casa.

“Faz tanto parte da nossa cultura que sempre o associamos a momentos muito agradáveis”, disse Paradela.

A história é semelhante para os croatas, cuja paixão ficou evidente na semana passada, quando torcedores vestindo camisas xadrez vermelhas e brancas tomaram as ruas de Toronto antes da partida contra o Panamá.

“Esperamos que croatas de todo o mundo venham para Toronto, então vai ser como jogar em casa”, disse Davor, dono do restaurante Croatia em Toronto, sobre a partida de quinta-feira. “Nos sentimos orgulhosos de poder receber nossa seleção nacional aqui no Canadá.”

GRANDES JOGADORES, GRANDES CUSTOS

A quinta-feira traz um confronto com muita coisa em jogo entre os veteranos Ronaldo e Modric, dois ex-companheiros de Real Madrid e vencedores da Bola de Ouro que têm sido os rostos de suas seleções há anos.

Um deles pode disputar sua última partida na Copa do Mundo nesta quinta-feira, mas, para muitos, a chance de vivenciar a despedida está fora de alcance. Os ingressos no mercado de revenda ultrapassaram os 3.000 dólares após a confirmação do confronto.

“Acho que, por (esse preço), talvez eu pudesse viajar para a Arábia Saudita e assistir ao Ronaldo lá”, disse Paradela, referindo-se à Liga Profissional Saudita, na qual o jogador com mais partidas e gols por seleções no futebol masculino atua pelo Al-Nassr.

“Este é um esporte que se construiu com o esforço da classe trabalhadora, e o fato de essas pessoas serem excluídas por causa dos preços é uma farsa”, acrescentou Iva Grbesic, uma croata-canadense que mora em Toronto.

Embora apenas uma nação saia vitoriosa em campo, ambas as comunidades sentem que já venceram com a oportunidade de receber suas seleções.

“Significa muito para ambas as nossas comunidades poder ter esse jogo... com duas comunidades da diáspora incríveis, realmente comemorando suas respectivas seleções”, disse Grbesic.

“Uma dessas comunidades vai dar uma grande festa”, afirmou Paradela sobre as comemorações pós-jogo. “Obviamente, espero que sejamos nós (Portugal), mas ainda assim é emocionante saber que a comunidade deles (croata) vai ficar muito feliz naquele dia.”

(Reportagem de Divya Rajagopal e Nicole Fernandes, em Toronto)

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