TEL AVIV — Palestinos na Cisjordânia ocupada realizam uma paralisação geral nesta segunda-feira, em apoio aos detentos em greve de fome nas prisões israelenses, no dia em que o presidente dos EUA, Donald Trump, chegou para sua primeira visita a Israel. Empresas, escolas e meios de transporte pararam de funcionar, enquanto os prisioneiros pedem melhores condições no cárcere. O objetivo era chamar atenção à causa dos detentos num dia em que os olhos do mundo estão voltados à visita de Trump a Israel.
Empresas fecharam e as ruas ficaram vazias em Ramallah, que serve de sede da Autoridade Palestina, enquanto o transporte público também parou. Em Hebron, empresas, escolas e edifícios públicos estavam fechados. Diante dos campos de refugiados próximos de Ramallah, as vias de acesso foram bloqueadas com latas de lixo e carros.
Há 36 dias, os presos palestinos decretaram greve de fome, num protesto que eleva as tensões na região. A mobilização em favor dos presos tem sido marcada por várias greves e muitas manifestações. Dois palestinos foram mortos, um por um soldado e outro por um colono israelense, durante protestos. Dezenas de outros palestinos ficaram feridos na Cisjordânia e na Faixa de Gaza.
Segundo a Autoridade Palestina, os detentos em greve de fome fazem o protesto com a intenção de pôr fim aos abusos em penitenciárias israelenses. Eles pedem telefones públicos; canais de televisão; ares condicionados; direitos de visita ampliados, cuidados médicos apropriados e o fim do regime de isolamento.
A ONU afirmou que acompanha atentamente esta greve de fome e pediu calma após confrontos entre manifestantes e a polícia israelense na Cisjordânia ocupada. A última greve em massa nas prisões israelenses aconteceu em fevereiro de 2013. Na ocasião, 3 mil palestinos se negaram a se alimentar durante um dia para protestar contra a morte na prisão de um preso palestino.
Dentre os 6,5 mil palestinos atualmente detidos em Israel, estão 62 mulheres e 300 menores de idade. Cerca de 500 deles estão sob o regime extrajudicial da detenção administrativa, que permite uma detenção sem processo nem acusação. Além disso, também há 13 deputados palestinos presos.
O tema dos presos é crucial para os palestinos. Cerca de 850 mil palestinos, no total, foram presos desde 1967 e a ocupação dos Territórios palestinos, segundo seus dirigentes. Cada família, repetem regularmente os dirigentes palestinos, tem ao menos um membro em detenção ou que já tenha passado pela prisão.

