BRASÍLIA - A forte rejeição internacional ao processo eleitoral ocorrido na no domingo será testada no início de junho, durante Assembleia-Geral da Organização dos Estados Americanos (), em Washington, onde o presidente tem forte influência sobre os países caribenhos, além de Bolívia, Equador e Nicarágua. Será apresentada uma proposta de resolução suspendendo os venezuelanos da OEA com base na Carta Democrática.
Expulsa do Mercosul por desrespeitar os princípios democráticos, a Venezuela não foi enquadrada pela OEA, devido à resistência dos países caribenhos e bolivarianos, tradicionais aliados do chavismo. No caso do Caribe, várias ilhas recebem petróleo venezuelano subsidiado.
A grande dificuldade é que são necessários dois terços de um total de 34 votos na OEA. Contrário à perpetuação de Nicolás Maduro no poder, o Grupo de Lima, do qual faz parte o Brasil, tem 14 votos e precisaria de pelo menos 23 a seu favor.
— A reunião da Assembleia-Geral da OEA pode ser um termômetro, após forte reação internacional à eleição na Venezuela — comentou uma fonte do governo brasileiro, lembrando que, no âmbito da OEA, há um forte combatente ao regime de Maduro, que são os Estados Unidos.
Embora tenha assinado a dura carta divulgada nesta segunda-feira pelo Grupo de Lima, em que se propõe o embargo financeiro à Venezuela e que os países convoquem seus respectivos embaixadores, o Brasil já suspendeu linhas de crédito para o país vizinho e, desde meados de 2016, não há embaixador daquele país em Brasília, devido ao impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. Caracas jamais reconheceu o governo de Michel Temer.
Tempos depois, em dezembro de 2017, o embaixador brasileiro na Venezuela, Ruy Pereira, foi expulso de Caracas. A Assembleia Constituinte venezuelana declarou o diplomata persona non grata.
A atuação brasileira vem se dando no campo humanitário, na acolhida aos imigrantes venezuelanos que chegam, principalmente, pela região Norte. No entanto, funcionários do Brasil são impedidos de entrar no país vizinho para levar vacinas e medicamentos em geral para a população. Maduro também se recusa a trocar informações sobre doenças como sarampo, malária e difteria.
Além do Brasil, fazem parte do Grupo de Lima Argentina, Canadá, Chile, Colômbia, Costa Rica, Guatemala, Guiana, Honduras, México, Panamá, Paraguai, Peru e Santa Lúcia.

