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ONU diz que Coreia do Norte continua a tocar seu programa nuclear

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NOVA YORK e CINGAPURA - A Coreia do Norte não interrompeu seus programas nucleares e de mísseis, em uma violação às sanções da Organização das Nações Unidas (ONU), diz relatório confidencial obtido por veículos de notícias nesta sexta-feira.

O relatório foi produzido por especialistas independentes que monitoram a implementação das sanções da ONU ao longo de seis meses e submetido ao comitê de sanções do Conselho de Segurança da Coreia do Norte na noite de sexta-feira.

No documento de 62 páginas enviado ao Conselho de Segurança o painel de especialistas da ONU também enumerou violações às sanções econômicas contra o país, com um “aumento maciço” na transferência de petróleo e combustíveis entre navios em alto mar para driblar as limitações, bem como à proibição das exportações norte-coreanas de carvão, ferro, mariscos e outros produtos que geram milhões de dólares em receitas ao regime de Kim Jong Un.

“A Coreia do Norte não interrompeu seus programas nucleares e de mísseis e continua a desafiar as resoluções do Conselho de Segurança por meio de um aumento maciço nas transferências ilícitas entre navios de produtos petrolíferos, bem como transferências de carvão no mar em 2018”, diz o texto.

Ainda de acordo com o relatório, o regime norte-coreano contratou um agente sírio para vender armas para outros países. Segundo os especialistas da ONU, a Coreia do Norte “tentou fornecer armas de pequeno e médio porte e outros equipamentos militares através de intermediários estrangeiros” a Líbia, Iêmen e Sudão.

O texto menciona o traficante de armas sírio Hussein Al-Ali que ofereceu “uma gama de armas convencionais, e em alguns casos mísseis balísticos, a grupos armados no Iêmen e na Líbia” produzidas na Coreia do Norte. Em 2016, em Damasco, e com Ali como intermediário, um "protocolo de cooperação" foi negociado entre Pyongyang e os rebeldes huthis do Iêmen, que previa uma "ampla gama de equipamento militar".

Já a transferência de produtos petrolíferos para navios-tanque norte-coreanos continua sendo “um método primário de evasão de sanções” que envolve 40 embarcações e 130 empresas associadas continua o relatório. Segundo os especialistas da ONU, as violações fizeram que a última leva de sanções fosse “ineficaz” ao não contemplar os tetos de petróleo, combustível e carvão impostos em uma série de resoluções da ONU adotadas no ano passado.

Enquanto isso, o ministro norte-coreano das Relações Exteriores, Ri Yong Ho, considerou “alarmante” a tensão gerada pelos EUA em torno de seu programa nuclear. Em declarações neste sábado, o secretário de Estado americano, Mike Pompeo, pediu à comunidade internacional a continuidade da pressão diplomática e econômica sobre a Coreia do Norte enquanto o país não abandonar as armas nucleares.

Pompeo, que falou durante um fórum da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) em Cingapura, insistiu na necessidade de conservar a pressão “para obter uma desnuclearização definitiva e totalmente verificada, à qual a Coreia do Norte se comprometeu”. Em uma entrevista coletiva, Pompeo afirmou que pediu aos membros da ASEAN a “aplicação estrita de todas as sanções, incluindo a interrupção total de fornecimentos ilegais de petróleo entre navios” para a Coreia do Norte.

Em comunicado em resposta às declarações de Pompeo, o ministro norte-coreano das Relações Exteriores lamentou que “apesar das medidas de boa vontade” de Pyongyang, Washington “tenha elevado sua voz mais forte para manter as sanções”.

“A impaciência não ajuda em absoluto a gerar confiança. O avanço das demandas unilaterais, especialmente, aprofundará ainda mais a desconfiança, ao invés de reviver a confiança”, advertiu Ri Yong Ho. “A República Democrática Popular da Coreia continua firme em sua determinação e comprometimento para implementar o acordo conjunto entre EUA e Coreia do Norte de uma maneira responsável e em boa fé. O que é alarmante, entretanto, são as medidas insistentes tomadas nos Estados Unidos para voltar ao antigo, ao velho, longe da intenção de seu líder”.

Apesar de terem se cumprimentado na reunião da ASEAN, Pompeo e Ho não se encontraram formalmente. Assim, coube a outro diplomata americano uma carta do presidente dos EUA, Donald Trump, dirigida ao líder norte-coreano, Kim Jong Un, ao ministro das Relações Exteriores da Coreia do Norte.

Sung Kim, embaixador dos EUA nas Filipinas, que têm desempenhado um papel importante nas conversas entre Estados Unidos e Coreia do Norte, entregou a carta a Ri Yong Ho nos bastidores do encontro regional, afirmou a porta-voz do Departamento de Estado Heather Nauert. A carta foi uma resposta a uma outra de Kim Jong Un a Trump, disse.

Em Cingapura, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Mike Pompeo, e Ri se cumprimentaram e trocaram palavras e sorrisos. Nauert contou que Pompeo disse a Ho: “Nós deveríamos nos encontrar novamente em breve” e disse que Ri respondeu: “Eu concordo, há muitas conversas produtivas a serem promovidas”.

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