Tentativas anteriores de levar os dois lados para a mesa de negociações fracassaram, principalmente por causa de disputas sobre quem deveria representar o governo sírio e a oposição e se Irã, Arábia Saudita e outras potências regionais deveriam participar do encontro.
"Iremos a Genebra com a missão da esperança", disse o escritório do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, em comunicado. "A conferência de Genebra é o veículo para uma transição pacífica que preenche as aspirações legítimas de todo o povo sírio por liberdade e dignidade, e que garante segurança e proteção para todas as comunidades na Síria."
"O conflito na Síria se estende há muito tempo. Seria imperdoável não aproveitar esta oportunidade para encerrar o sofrimento e a destruição que tem causado", disse Ban por meio de seu porta-voz.
O secretário-geral elogiou os esforços da Rússia, dos Estados Unidos e do enviado da Liga Árabe, Lakhdar Brahimi, para a realização da conferência, que foi adiada várias vezes.
O comunicado diz que um dos principais objetivos será o "estabelecimento, com base na concordância mútua, de um corpo de governo de transição com amplos poderes executivos, incluindo sobre o Exército e os órgãos de segurança".
"O secretário-geral espera que os representantes sírios venham a Genebra com a clara compreensão de que este é o objetivo, com a séria intenção de encerrar a guerra que já deixou mais de 100 mil mortos, retirou quase 9 milhões de suas casas, deixou incontáveis desaparecidos e detidos, provocou tremores na região e impôs pesos inaceitáveis aos vizinhos da Síria", diz o documento.
Será a segunda vez que importantes potências se reúnem para uma conferência de paz sobre a Síria em Genebra. A primeira aconteceu em junho de 2012, quando Estados Unidos, Rússia, China, Reino Unido e França - os membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU - e outros Estados importantes concordaram com a formação de um governo de transição, com poderes executivos totais adotado com a anuência dos dois lados e que terminará com a realização de eleições.
Mas não há um acordo geral sobre como implementá-lo e um dos principais pontos de atrito é o futuro do presidente Bashar Assad.

