SÃO PAULO, 2 Set (Reuters) - A nova sistemática para garantir conexões de geradores e grandes consumidores de energia à rede elétrica nacional deverá disponibilizar cerca de 11 gigawatts (GW) dos 20,3 GW solicitados até 2031, afirmou o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) nesta quarta-feira.
A avaliação faz parte da primeira "Temporada de Acesso", criada sob uma política instituída via decreto pelo governo no fim do ano passado que mudou a lógica para que novos projetos de geração de energia e grandes cargas se conectem ao Sistema Interligado Nacional (SIN).
Essa política interessa tanto a geradores, que precisam conectar novas usinas e transmitir sua energia, quanto a grandes consumidores, como os data centers, que querem receber energia diretamente da rede de transmissão nacional. Ela também serve para empresas já conectadas, mas que precisem aumentar seu uso da rede, como uma indústria em expansão.
Antes, essas empresas faziam pedidos de conexão ao ONS e entravam em uma fila cronológica para serem atendidas. Agora, esses pedidos são organizados de forma diferente, nas "temporadas de acesso": janelas periódicas nas quais o ONS avalia as solicitações e pode realizar leilões para que as empresas disputem entre si as conexões onde não há capacidade disponível para acomodar toda a demanda.
Segundo o ONS, dos 11 GW identificados, 8,06 GW receberão sinalização para atendimento direto -- isto é, as empresas não precisarão disputar os acessos solicitados. Já outros 2,94 GW deverão seguir para um leilão.
Ainda de acordo com o ONS, do montante a ser encaminhado para concorrência, aproximadamente 1,95 GW são referentes a pedidos de consumidores, concentrados em 13 pontos de conexão no Estado de São Paulo. Os 993 MW restantes são de geradores, em dois barramentos no Rio Grande do Sul.
Os números do ONS ainda são preliminares e não contemplam eventuais desistências, mas sinalizam "o acerto" da nova política, disse Marcio Rea, diretor-geral do ONS, em nota.
"A nova sistemática contribui para ampliar a transparência do processo de acesso, ao permitir melhor aproveitamento da capacidade disponível e oferecer maior previsibilidade aos agentes do setor elétrico", disse Rea.
(Por Letícia Fucuchima; edição de Roberto Samora)



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